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    Bahia: mais de 200 pessoas morreram em confrontos com a PM desde 15 de setembro

    Estado enfrenta uma crise de segurança depois que um policial federal foi assassinado por integrantes de uma organização criminosa

    Victor Aguiarda CNN*

    Desde o dia 15 de setembro, quando o policial federal Lucas Caribé foi assassinado por integrantes de uma organização criminosa, o número de pessoas mortas em confrontos com a Polícia Militar na Bahia chegou a 204. Somente em novembro, foram registrados pelo menos 34 óbitos.

    Os números são baseados em um levantamento feito pela CNN a partir de dados confirmados pela SSP ou pelas polícias Militar e Civil.

    Segundo as polícias e a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), 201 dos 204 mortos eram suspeitos de participação em crimes e atiraram primeiro contra os agentes de segurança. Ainda de acordo com a SSP, todos eles também foram socorridos, mas não resistiram. Além de Lucas Caribé, outras duas vítimas eram policiais militares.

    A maioria das mortes foi registrada em Salvador ou em cidades da região metropolitana, como Lauro de Freitas, Eunápolis, Jequié, Camaçari e Simões Filho.

    Na última quarta-feira (29), sete homens morreram em mais um confronto com a PM.

    Média superior a uma morte por dia

    Com as sete mortes registradas nesta quarta-feira, o número total de óbitos decorrentes de confrontos entre suspeitos e a PM neste mês chegou a pelo menos 31. Em média, aproximadamente uma pessoa foi morta por dia pela Polícia Militar no estado durante o mês de novembro.

    De acordo com o levantamento da CNN, foram registradas 59 óbitos em outubro e 111 entre os dias 15 e 30 de setembro, mês em que a onda de violência no estado se intensificou.

    Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, quatro das cinco cidades mais violentas do Brasil estão na Bahia: Jequié, Santo Antônio de Jesus, Simões Filho e Camaçari. Junto com o Rio de Janeiro, os dois estados concentraram, em 2022, 43% de todas as mortes causadas por agentes policiais.

    A CNN procurou o governo da Bahia para entender quais medidas estão sendo adotadas para combater a onda de violência, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

    Relembre casos de confrontos com morte:

    8 de novembro

    Quatro mortes foram registradas em três confrontos diferentes. Em Mirangaba, Jeferson de Jesus Amorim foi abordado e acabou morto após confronto com agentes da PM durante a Operação Força Total.

    Em Salvador, dois suspeitos morreram nos bairros de Fazenda Grande III e IV. Ainda na capital, um terceiro homem, apontado como traficante que se exibia nas redes sociais, foi a óbito após troca de tiros com a polícia no bairro de Fazenda Grande do Retiro.

    9 de novembro

    No dia seguinte, dois novos confrontos deixaram mais três mortos em Cruz das Almas. Policiais militares revidaram tiros disparados pelos criminosos. Segundo a PM, eles foram socorridos, mas não resistiram.

    17 de novembro

    Um homem perdeu a vida no bairro de Alto das Pombas, em Salvador, após troca de tiros entre um grupo de indivíduos e a polícia. Segundo a PM, a operação resultou na apreensão de uma pistola, uma porção de cocaína e 30 de maconha.

    20 de novembro

    O dia 20 registrou o maior número de mortos pela PM em todo o mês de novembro. De acordo com a SSP, foram nove mortes em dois confrontos diferentes, ambos em Salvador.

    No bairro de Tancredo Neves, seis homens foram feridos, socorridos e não resistiram, de acordo com a versão apresentada pela polícia. Um PM também teria sido atingido de raspão.

    Em São Marcos, três suspeitos de tráfico de drogas iniciaram um confronto com os policiais e morreram.

    22 de novembro

    Em Lauro de Freitas, dois homens foram mortos após reagirem a uma tentativa de prisão. Um deles, Leonardo Guedes Silva Santana, de 29 anos, era apontado como braço direito do líder de uma organização criminosa que atua no bairro do Calabar.

    23 de novembro

    Mais duas mortes foram registradas em dois confrontos diferentes no dia 23. Em Simões Filho, o major Guilherme Borges alegou que um grupo armado atacou os policiais durante a ação dos agentes. Após troca de tiros, um suspeito morreu.

    Em Salvador, a Operação Força Total também resultou em um óbito no bairro do Ceasa. Em relação a essa ocorrência, o major Guilherme Borges afirmou que homens armados efetuaram disparos contra os PMs que chegaram ao local. Novamente, um dos suspeitos foi localizado ferido, mas não resistiu.

    26 de novembro

    Na última sexta-feira, agentes da PM foram acionados após denúncias de disparos de arma de fogo no bairro de Santa Lúcia, em Eunápolis. Ao chegarem no local, tentaram uma abordagem contra os suspeitos armados, mas, segundo a Polícia Militar, os suspeitos iniciaram um confronto. Um deles acabou ferido e faleceu.

    28 de novembro

    Na terça-feira, mais dois homens foram mortos após confrontos em Simões Filho e Salvador. Na capital baiana, Rafael Santos Silva, apontado como uma liderança do tráfico de drogas, resistiu à abordagem policial e efetuou disparos contra as equipes, mas morreu durante a troca de tiros, segundo a SSP.

    Em Simões Filho, outro suspeito de tráfico morreu após um tiroteio entre policiais e criminosos.

    29 de novembro

    Na quarta, sete homens morreram em duas operações diferentes. A primeira, uma megaoperação realizada por equipes das polícias Civil, Militar e Federal, tem o objetivo de cumprir 20 mandados judiciais contra suspeitos de participação no homicídio do policial federal Lucas Caribé.

    Um dos mandados era contra Pablio Henrique Barbosa Almeida, 25 anos. Ele tinha passagens por porte ilegal de arma de fogo e denúncias de tráfico de drogas e associação criminosa. De acordo com a SSP, Pablio disparou contra os policiais e foi atingido.

    A outra morte foi confirmada à CNN pela Polícia Federal, mas o suspeito não teve a identidade revelada.

    Em Cruz das Almas, cinco homens morreram durante patrulhamento das forças policiais no bairro Embira. Em uma região de mata, os agentes entraram em confronto com cerca de dez suspeitos, dos quais metade foi atingida após revide dos policiais.

    * Sob supervisão de Bruno Laforé