Brasil perdeu 15% de áreas de praias e dunas nos últimos 35 anos

Rio de Janeiro foi o estado que mais perdeu territórios arenosos

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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O Brasil perdeu 69 mil hectares de suas praias e dunas nos últimos 35 anos – o que representa uma redução de 15% no total de áreas compostas por areia.

Os dados do estudo inédito feito pelo MapBiomas foram divulgados nesta quinta-feira (28), durante um webinar nas redes sociais. O levantamento foi produzido a partir de um mapeamento de imagens de satélite entre 1985 e 2020.

Segundo o levantamento, o Brasil contava com 451 mil hectares de dunas e praias há 36 anos. No final do período analisado — 2020 –, o país contava com 382 mil hectares arenosos.

O Rio de Janeiro é o estado que mais perdeu esse tipo de superfície no período, com uma redução de 49% de sua área. Em seguida aparece a Paraíba, com perda de 44%.

Atualmente, os estados com maior área de praias, dunas e areais são Maranhão e Rio Grande do Sul, que juntos abrigam mais da metade desses locais, sendo que, dos dez municípios com maior área de praias, dunas e areais, três ficam nos Lençóis Maranhenses.

O estudo indica que a diminuição das faixas de praias e dunas pode ser explicada pela forte pressão imobiliária nesses locais. Há, ainda, a baixa proteção: apenas 40% desse tipo de bioma está protegido em alguma unidade de conservação.

A preservação das praias e dunas é essencial para o controle da erosão costeira e preservação da faixa litorânea e sua biodiversidade, segundo os pesquisadores do MapBiomas.

A praia e a duna normalmente protegem os manguezais das ações das ondas e criam um ambiente onde a lama pode ser depositada e colonizada pela vegetação de mangue e pelas espécies nativas.

“Quando se ocupa e se expande sob a borda das dunas, ou se retira a vegetação original, estamos fragilizando esse ecossistema costeiro e, eventualmente, acelerando suas modificações. Ganhar ou perder não é necessariamente positivo ou negativo; mas quando as mudanças ocorreram de forma rápida demais, o ser humano não tem como se adaptar a elas; e isso pode afetar comunidades pesqueiras, turismo e outros mais”, disse o coordenador técnico do mapeamento de Zona Costeira do MapBiomas, Cesar Diniz.

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