Análise: Reservatórios das hidrelétricas brasileiras operam abaixo da média

Com chuvas irregulares no verão, importantes represas do sistema elétrico nacional apresentam volumes reduzidos, o que pode levar ao acionamento de termoelétricas; análise é de Pedro Côrtes no CNN Prime Time

Da CNN Brasil
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Os reservatórios das hidrelétricas brasileiras iniciam 2026 com níveis abaixo do esperado em parte relevante do sistema, justamente no período em que a recuperação deveria estar mais avançada. O analista de Clima e Meio Ambiente, Pedro Côrtes, explicou, no CNN Prime Time, que situação é considerada preocupante, já que esta época do ano representa a metade do período de recarga dos reservatórios.

De acordo com dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), os níveis atuais estão significativamente abaixo do ideal. No Sudeste e Centro-Oeste, os reservatórios deveriam estar em torno de 70% de sua capacidade, mas encontram-se com apenas 42%. No Nordeste, o cenário é de 47% contra os 60% esperados. A região Sul apresenta 68% (contra 80% ideais), enquanto o Norte registra 56%, quando o ideal seria 60%.

Côrtes explica que a irregularidade das chuvas neste verão é a principal responsável pela situação. "Por vezes chove muito em alguns locais e chove muito pouco em outros", afirmou. Alguns dos principais reservatórios do país apresentam volumes críticos, como Furnas (32%), Emborcação (46%), Itumbiara (34%), Nova Ponte (30%), Tucuruí (32%) e Sobradinho (43%).

Impactos no sistema elétrico e tarifas

Apesar do cenário preocupante, o especialista garante que não há risco de falta de energia no país. "Uma boa notícia é que energia não vai faltar, porque a gente tenta um sistema de suprimento que pode levar ao acionamento de termoelétricas", explica Côrtes. No entanto, o baixo nível dos reservatórios pode afetar as tarifas de energia.

Atualmente, o Brasil opera com bandeira tarifária branca, sem sobretaxa para os consumidores. Contudo, caso a situação dos reservatórios não melhore nas próximas semanas, existe a possibilidade de migração para a bandeira amarela. "Depende muito dessa evolução do clima nas próximas semanas e ao longo do inverno a gente provavelmente vai ter acionamento de bandeira amarela, talvez vermelha, porque alguns reservatórios estão muito baixos e não vislumbra uma possibilidade de recuperação substancial nesse verão", alerta o analista.

Para os próximos dias, há previsão de uma faixa de chuvas atravessando a região central do Brasil, chegando até o litoral, o que pode ajudar na recarga de algumas hidrelétricas, mas não de todas. As do Norte, Nordeste e Sul, além de algumas do Sudeste, ainda podem ficar prejudicadas pela distribuição irregular das precipitações.

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