Datafolha: uma em cada seis crianças já teria sofrido racismo no Brasil

Pesquisa foi encomendada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

Luisa Nicacio, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Pelo menos 16% das crianças de até seis anos já teriam sofrido racismo no Brasil, segundo pesquisa Datafolha encomendada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal – organização que trabalha no segmento da primeira infância no país.

A pesquisa ouviu 2.206 pessoas em entrevistas realizadas em abril, deste ano, sendo 822 responsáveis por cuidar de crianças de 0 a 6 anos. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para total da amostra e de 3 pontos percentuais para amostra de responsáveis.

O levantamento faz parte de um estudo sobre a primeira infância no país, organizado pela fundação, e mostra como o racismo contra bebês e crianças é percebido.

Dados da pesquisa:

  • Já foi tratada de forma diferente: 16%
  • Nunca foi tratada de forma diferente: 82%
  • Não sabe: 2%

Ambientes que aconteceram os casos

O instituto fez algumas perguntas aos responsáveis: "A criança já foi tratada de forma diferente de outras crianças por causa de sua cor da pele, tipo de cabelo e outras características físicas?".

Entre os 132 responsáveis que relataram ter testemunhado situações que consideram racismo contra as crianças, mais da metade dos casos (54%) teria ocorrido na creche ou na pré-escola. Em seguida estão espaços públicos como ruas, praças ou parques, indicado por 42% desse público, seguido pelo bairro ou vizinhança (20%).

Os relatos são mais frequentes entre os responsáveis pretos ou pardos (19%).

Já em relação a pergunta sobre a exposição da criança na primeira infância ao racismo, a diferença de escolaridade tem grande impacto. Cerca de 74% concordam com a afirmação: "O racismo é algo comum e mesmo crianças na primeira infância são vítimas de racismo", proporção que cai para 53% entre aqueles com ensino fundamental.

Segundo a pesquisa, a discriminação na fase de 0 a 6 anos de idade compromete o desenvolvimento das crianças, podendo causar efeitos no futuro dessas vidas.

Segundo a CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Mariana Luz, a escola é o 1º espaço de socialização da criança.

"Então se essa criança, uma criança pequena, sofre racismo na sala de um colega num período no qual ela está formando a sua identidade, constituindo a sua autoestima, que ela precisa das experiências para se desenvolver plenamente, isso vai minar esse processo, isso vai gerar traumas e esse estresse tóxico vai impedir que ela se desenvolva nessa máxima potência", disse a CEO.

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