Metade dos brasileiros não se sentem seguros onde moram, diz pesquisa
Estudo realizado pela OMA Pesquisa aponta ainda que 94% dos entrevistados consideram suas cidades violentas em algum grau

Uma pesquisa encomendada pelo Instituto Sou da Paz e realizada pela OMA Pesquisa, divulgada nesta terça-feira (19), mostra que a sensação de insegurança segue disseminada no Brasil.
Segundo o levantamento, apenas 47% dos entrevistados afirmaram se sentir seguros no bairro onde moram, enquanto 59% disseram ter sensação de segurança na própria rua. Quando o escopo é ampliado para toda a cidade onde vivem, o índice cai para 32%.
O estudo aponta ainda que 94% dos entrevistados consideram suas cidades violentas em algum grau. Desse total, 42% classificam o local onde vivem como “muito violento”.
A pesquisa foi realizada em novembro de 2025, com 1.115 entrevistas presenciais em 40 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de três pontos percentuais.
Entre os principais fatores associados ao medo da violência estão roubos e furtos, mencionados por 91% dos participantes, além de roubo de celular e tráfico de drogas, ambos com 89%.
O levantamento também mostrou mudanças de comportamento causadas pela insegurança. Mais da metade da população, ou 57%, afirmou ter alterado hábitos ou rotinas por medo da violência. Entre as principais medidas adotadas estão evitar sair à noite, mudar trajetos e deixar de frequentar determinados lugares.
“Não podemos encarar a violência apenas como dados estatísticos, ela é um fenômeno que atravessa e interfere no cotidiano das pessoas. O medo sentido por causa desse cenário é legítimo e a pesquisa mostra que a população não aceita mais respostas simplistas e punitivistas para as suas dores", comenta Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.
Preocupação das mulheres e roubos
A sensação de insegurança é predominante no Brasil, independente de renda ou idade. No entanto, as mulheres apresentam níveis mais altos de preocupação: 74% delas se sentem inseguras nas cidades.
Além disso, 83% das pessoas identificaram a violência contra a mulher presente em suas cidades, o que demonstra que a violência de gênero deve ter papel central nas discussões sobre segurança pública no país.
Foi percebido, também, que as pessoas não fazem distinção entre roubo e furto. O impacto maior na população está na sensação de vulnerabilidade que esses crimes causam.
A OMA Pesquisa é uma empresa especializada na análise de opinião pública, comportamento e percepções de cidadãos e consumidores no Brasil e na América Latina. O Instituto Sou da Paz é uma organização da sociedade civil que nasceu da mobilização pública e que existe há 26 anos com o objetivo de contribuir para a efetivação de políticas públicas de segurança e prevenção da violência
O que diz o Governo?
Em nota, o MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Públic) afirmou que acompanha os dados de violência e insegurança da população e destacou que tem em ampliado investimentos em inteligência, integração entre as forças de segurança e combate às organizações criminosas.
Leia a nota na íntegra:
"O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) acompanha os dados relacionados à violência e à percepção de insegurança da população brasileira. Os resultados da pesquisa do Instituto Sou da Paz em parceria com a Oma Pesquisa dialogam com indicadores apresentados no Mapa da Segurança Pública 2025, divulgado pelo MJSP.
Embora o levantamento indique elevada percepção de violência, com 94% dos entrevistados afirmando perceber violência em suas cidades e 32% declarando sentir segurança, os dados oficiais apontam redução nos principais crimes letais no país. Segundo o Mapa da Segurança Pública 2025, o Brasil registrou queda de 6,33% nos homicídios dolosos em 2024, além de redução de 1,65% nos casos de latrocínio em relação ao ano anterior.
A pesquisa também aponta apoio da população a medidas de modernização e prevenção na segurança pública. O investimento em câmeras corporais por policiais, por exemplo, é aprovado por 82% dos entrevistados e integra iniciativas voltadas ao fortalecimento da transparência e da qualificação das ações policiais.
Em relação à violência contra a mulher, identificada por 83% dos entrevistados como realidade presente nos municípios, o MJSP mantém ações de prevenção, proteção às vítimas e integração das forças de segurança.
O Governo Federal também tem ampliado investimentos em inteligência, integração entre as forças de segurança e combate às organizações criminosas, por meio de iniciativas como o programa Brasil contra o Crime Organizado e do fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (Susp)."


