“Calma, amor, é o Exército”, disse viúva ao ver músico ser atingido por tiros

Frase foi lembrada durante julgamento de 12 militares por morte de Evaldo Rosa, em abril de 2019

Evaldo e Luciana, em foto de arquivo pessoal
Evaldo e Luciana, em foto de arquivo pessoal Foto: Arquivo Pessoal

Leandro Resende

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Durante o julgamento dos 12 militares acusados de matar, com mais de 200 tiros, o músico Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, e o catador de latinhas Luciano Macedo, em 2019, os advogados que fazem a assistência da acusação lembraram que a viúva do músico tentou tranquilizá-lo ao ver que estavam próximos de militares.

“Calma, amor, é o Exército”, disse Luciana Nogueira, ao notar que o marido fora alvejado enquanto dirigia o carro da família, em abril de 2019, no bairro de Guadalupe, Zona Norte do Rio.

Nas alegações finais do processo, feitas pelos advogados André Perecmanis e Alice MacDowell, apresentadas no julgamento desta quarta-feira (13), a frase da viúva foi lembrada para enfatizar que havia a expectativa de que os militares que estavam no local “lhes prestariam socorro e lhes protegeriam”.

De acordo com as investigações da Delegacia de Homicídios, ao menos 257 tiros foram disparados contra o carro conduzido pelo músico. O catador de latinhas, que passava próximo ao local, Luciano Macedo, tentou ajudar Evaldo e a família, mas foi atingido. Os dois morreram. O sogro de Evaldo foi atingido por um tiro de raspão.

A assistência de acusação, que representa a família de Evaldo, sustentou que o caso “atinge a reputação do Exército Brasileiro”.

“Embora não se pretenda, em hipótese alguma, relativizar mortes que se deram no curso de operações militares, ou, ainda, ocasionadas pelo que se convencionou chamar de “balas perdidas”, fato é que, nunca antes, um carro, conduzido por um pai de família, foi alvejado por 80 (oitenta) tiros de fuzil disparados pelo Exército brasileiro”.

Até a última atualização desta reportagem (20h30 de 13/08) o julgamento ainda estava em andamento.

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