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    Candidata a miss e diretora em prefeitura: saiba quem é a delegada que atirou em policiais em MG

    Monah Zein ficou confinada no próprio apartamento por mais de 30 horas nesta semana e vai responder por tentativa de homicídio

    A delegada Monah Zein
    A delegada Monah Zein Reprodução/Instagram

    Fábio Munhozda CNN

    A delegada Monah Zein foi presa nesta semana em Belo Horizonte (MG) após ficar mais de 30 horas confinada em seu apartamento. Segundo a Polícia Civil, ela atirou quatro vezes contra agentes da corporação durante a negociação para que ela deixasse o imóvel.

    Depois de se entregar, ela foi sedada e está internada na capital mineira. Nesta sexta-feira (24), teve liberdade provisória concedida após audiência de custódia.

    Antes de se tornar delegada, Monah, de 38 anos, já foi diretora-geral da Secretaria de Governo da prefeitura de Araucária (PR) e participou de um concurso de beleza.

    De acordo com registros da imprensa local do Paraná, Monah participou em 2005 do concurso Miss Curitiba. Na época, ela tinha 21 anos.

    Na rede social LinkedIn, Monah informa que se formou em direito em 2006 pela Universidade Tuiuti do Paraná e que foi aprovada em 2008 no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, tendo iniciado sua atuação como advogada.

    No mesmo ano, concluiu uma pós-graduação em Direito e Processo Tributário.

    Entre 2017 e 2018, trabalhou na prefeitura de Araucária, cidade localizada na região metropolitana de Curitiba, tendo ocupado os cargos de assessora do procurador-geral do município e de diretora-geral na Secretaria de Governo.

    Ainda em 2018, participou de concurso público para delegado substituto da Polícia Civil de Minas Gerais. A nomeação dela para o cargo saiu no Diário Oficial do Estado no dia 7 de junho de 2019. A convocação para posse foi publicada no dia 18 de junho do mesmo ano.

    O concurso que ela participou teve as seguintes etapas:

    • Prova objetiva
    • Prova dissertativa
    • Prova oral
    • Avaliação psicológica
    • Exames biomédicos e biofísicos
    • Prova de títulos
    • Investigação social

    Em 16 de outubro de 2019, Monah recebeu a medalha Gilberto Porto por ter sido a aluna que mais se destacou no curso de formação técnico-profissional de 2019 para a carreira de delegado de polícia substituto 2018/1.

    Três dias depois, foi designada para atuar em uma delegacia em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. Em maio de 2020, passou a dar expediente na 2ª Delegacia de Polícia Civil Leste, na capital mineira, e, em outubro de 2021, passou a prestar serviços na Central Estadual do Plantão Digital.

    Em outubro do ano passado, foi publicado no Diário Oficial que Monah concluiu, com sucesso, o período de estágio probatório –de dois anos–, passando a ser considerada servidora estável da corporação.

    Além da carreira como delegada, Monah é coautora do livro “Tratado Contemporâneo de Polícia Judiciária – Mulheres Delegadas”, publicado em 2019.

    Reclusão no apartamento

    Na terça-feira (21), a delegada se trancou no apartamento quando policiais foram até o local após ela ter enviado mensagens em grupos de colegas de trabalho com teor considerado como de risco para a própria saúde. Monah se recusou a se entregar, tendo ficado lá por mais de 30 horas.

    Durante o período em que ficou reclusa, Monah fez transmissões em uma rede social. Os vídeos foram armazenados em seu perfil no Instagram com o título “most wanted” (“mais procurada”, na tradução).

    A delegada alegou que os policiais não tinham mandado para entrar em seu apartamento –o que a corporação nega.

    “Eu preciso descansar, almoçar, tomar banho e, acreditem, eu não vou me matar. E eles sabem. É apenas jogada para contar as mentiras que quiserem”, escreveu ela no Instagram, em uma mensagem com muitos erros de digitação.

    Texto publicado pela delegada em uma rede social com acusações contra a Polícia Civil
    Texto publicado pela delegada em uma rede social com acusações contra a Polícia Civil / Reprodução/Instagram

    Enquanto os policiais faziam campana do lado de fora do imóvel, ela postou um vídeo em que estava na cama com um cachorro. “Eu estou aqui no meu quarto tentando ter um pouco de paz porque está insustentável”. “Em nenhum momento eu falei que iria me matar ou nada. É simplesmente um cenário ridículo, caótico e doentio causado por uma polícia que quer insistir que eu sou uma pessoa louca. Loucos são eles. Me desculpe, mas eu não confio em nenhum deles. E, de boa, eu não vou me matar por causa da polícia.”

    “Perto do que eles fazem comigo eu sou a pessoa mais equilibrada da polícia”, acrescentou. Ela diz que era vítima de perseguições e retaliações no âmbito da Polícia Civil.

    A policial se entregou por volta das 17h da quarta-feira (22). Ela foi atendida por uma equipe médica e recebeu sedativos. Segundo a defesa, a delegada está internada e seu estado de saúde é estável.

    O que diz a polícia

    Em pronunciamento após o fim das negociações, o delegado Saulo Castro, porta-voz da Polícia Civil de Minas Gerais, afirmou que a ocorrência foi exitosa e que desde o começo o objetivo era preservar a vida da delegada e dos policiais que atendiam a ocorrência.

    “Não há uma situação de violência, há uma preservação por parte dos agentes de segurança que seguem protocolos de ação. Pelos próprios vídeos que os senhores assistiram, a colega estava com duas armas de fogo, bastante exaltada, e a gente não pode chegar numa situação dessa sem também pensar na segurança própria dos policiais”, afirmou sobre a acusação, por parte da defesa, de que houve excesso policial na ação.

    Segundo o delegado, a Polícia Civil vai “lidar de forma transparente, seguindo a legalidade, respeitando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa” com as acusações de assédio.

    O delegado afirmou ainda que a servidora responde a alguns procedimentos na Corregedoria da corporação, e que houve, sim, mandado de busca e apreensão expedido contra ela.

    Prisão e liberdade provisória

    Monah teve a prisão decretada na quinta-feira (23) e foi indiciada por tentativa de homicídio em razão dos disparos efetuados contra os policiais.

    Nesta sexta, obteve direito à liberdade provisória após passar por audiência de custódia.