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    Censo revela que a cidade de São Paulo tem 3.759 menores em situação de rua

    Pretos e pardos representam 69% deste grupo; número duplicou em comparação ao último levantamento, de 2007

    Pessoas em situação de rua na região central de São Paulo
    Pessoas em situação de rua na região central de São Paulo Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    Tiago Tortellada CNN

    em São Paulo

    Um levantamento realizado pela prefeitura de São Paulo no mês de maio e divulgado no sábado (30) revelou que 3.759 crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos estão em situação de rua na capital paulista. Pretos e pardos representam 69% deste grupo.

    Em comparação com o último censo do tipo, realizado em 2007, o número de menores nessa situação de vulnerabilidade duplicou. Anteriormente, eram 1.842.

    Segundo a pesquisa de 2022, aproximadamente 60% deles são do sexo masculino, 38% são do sexo feminino e 2,1% não souberam ou não quiseram informar.

    A faixa etária de 12 a 17 anos é a que concentra o maior número, com 1.585 (42%); em seguida, a dos que têm até seis anos: 1.151 crianças (30,6%); e 1.017 (27,1%) aqueles entre sete e 11 anos. Seis deles (0,2%) não quiseram informar a idade.

    As regiões com maior número de crianças e adolescentes nessa situação de vulnerabilidade social são a República, Sé e Santa Cecília. Aqueles que tiveram o maior aumento em comparação com a pesquisa de 2007 foram Cidade Líder, São Mateus e Aricanduva.

    Além disso, 28 novos distritos da cidade registraram crianças e adolescente nas ruas.

    Aqueles que se autodeclararam brancos correspondem a 21,6% do total (811); indígenas, 0,9% (34); amarelos, 0,5% (20). Um menor se declarou moreno, e 166 não souberam ou não quiseram declarar.

    Segundo a prefeitura, 73% das crianças e adolescentes utilizam as ruas como forma de sobrevivência, mesmo que por um breve período do dia. Também, 10,7% pernoitam nas ruas e 16% estão acolhidos nos Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Saica) e em Centros de Acolhida Especial para Famílias.

    Ariel de Castro Alves, presidente da Comissão de Adoção e Convivência Familiar de Crianças e Adolescentes da OAB-SP, afirma que o aumento do número de crianças e adolescentes em situação de rua é uma “tragédia social”, resultado de “exclusão educacional e familiar, violência doméstica, da negligência familiar e do poder público”.

    Alves avaliou que a pandemia agravou a crise econômica e social, aumentando fome e miséria, e contribuindo para o aumento do número de pessoas em situação de rua.

    “Para enfrentar esse cenário, é necessário reestruturação e requalificação dos serviços de acolhimento institucional, com centros de acolhimento iniciais, casas de passagens, criação de centros de referência da criança e adolescente para atendimento multidisciplinar”, pontua.

    O advogado também ressalta a importância de serviços especializados para o trato com os menores, como residências terapêuticas de crianças dependentes de drogas e álcool e a inclusão das famílias em programas sociais para geração de renda, apoio e orientação.

    O Censo custou R$ 1,8 milhão à prefeitura de São Paulo. Uma das novidades em relação ao último levantamento foi a utilização de informantes: pessoas como donos de bancas de jornal, funcionários de escolas e padarias, e policiais, que foram ouvidas na preparação.

    Eles ajudaram a apontar locais onde havia presença constante de crianças e adolescentes em situação de rua.

    Ações da prefeitura

    Segundo a administração municial, a cidade de São Paulo conta com quase 500 orientadores distribuídos dentro de 27 equipes do Serviço Especializado de Abordagem Social (Seas) para adultos e crianças. Eles ofertam 2.090 vagas de acolhimento para os menores diariamente.

    A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) informou que, na rede Proteção Social Básica, são ofertadas vagas em 468 unidades do Centro para Crianças e Adolescentes (CCA), 20 Centros de Convivência Intergeracional (CCInter), 63 Centros de Desenvolvimento Social e Produtivo (Cedesp), cinco Circos Social, 39 Centros para Juventude (CJ), 68 Serviços de Assistência Social à Família (SASF) e um Restaurante Escola às crianças e adolescente que vivem em situação de rua ou de vulnerabilidade social na capital.

    Já no campo de média e alta complexidade, a Prefeitura possui 134 Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Saica), seis Casas Lar, 12 Residências Inclusivas, 54 Serviços de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto, 37 Núcleos de Apoios a Pessoas com Deficiência, cinco Famílias Acolhedoras e 28 Serviços de Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (SPVV).

    Também há “Seas especializados” na região central. Há previsão para que sejam lançados em outras regiões, como no Tatuapé, Pinheiros, Santana, Lapa, Jabaquara, Santo Amaro e Vila Mariana nos próximos meses.

    “Além disso, para ampliar o atendimento na Proteção Básica, serão aditados 10 novos CCAs até dezembro que irão expandir a oferta em mais 1.200 vagas. O primeiro será inaugurado em agosto na Penha, zona leste, com capacidade para 120 crianças e adolescentes”, ressalta a nota.