Corretora morta denunciou síndico por dificultar trabalho dela, diz Creci
Vítima também denunciou filho de síndico por indícios de "infração ética-disciplinar"; mulher afirmou que Cleber estaria exercendo ilegalmente a atividade de corretor de imóveis, por não ter inscrição no Conselho
A corretora de imóveis Daiane Alves Souza, encontrada morta na madrugada da última quarta-feira (28), em uma área de mata na região de Caldas Novas (GO), chegou a denunciar, antes de desaparecer, o síndico Cléber Rosa de Oliveira ao Creci-GO (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás).
Cleber e o filho foram preso ainda na última quarta por suspeita de envolvimento na morte da corretora, que estava desaparecida desde 17 de dezembro do último ano.
Segundo o Creci-GO, Daiane apresentou uma reclamação contra o síndico e o filho de Cléber, alegando que a dupla estaria dificultando o trabalho dela na locação de imóveis por temporada. Além disso, a mulher ainda afirmou que o síndico estaria exercendo ilegalmente a atividade de corretor de imóveis, por não ter inscrição no Conselho.
"Nos casos de reclamações formuladas em desfavor de pessoas não inscritas no Creci, instaura-se procedimento para apuração dos fatos e, após a conclusão, os autos são encaminhados à autoridade policial, por se tratar de contravenção penal", destacou o Conselho.
Em relação ao filho de Cleber, também corretor de imóveis, o Creci afirmou que foi instaurado um processo após Daiane denunciar indícios de infração ética-disciplinar. Leia a nota do Creci-GO na íntegra:
"A corretora de imóveis Daiane Alves Souza apresentou reclamação em desfavor do Sr. Cléber Rosa de Oliveira e de seu filho Maicon Douglas de Oliveira, sob a alegação de que estariam dificultando a atividade de locação por temporada, bem como de que o Sr. Cléber Rosa de Oliveira estaria exercendo ilegalmente a atividade de corretor de imóveis, por não possuir inscrição junto ao CRECI.
Nos casos de reclamações formuladas em desfavor de pessoas não inscritas no CRECI, instaura-se procedimento para apuração dos fatos e, após a conclusão, os autos são encaminhados à autoridade policial, por se tratar de contravenção penal, uma vez que compete ao CRECI exclusivamente apurar e julgar as condutas praticadas por profissionais regularmente inscritos.
Por sua vez, em relação ao corretor de imóveis Maicon Douglas foi instaurado processo de representação tendo em vista que as alegações da corretora Daiane em seu desfavor existiam indícios de infração ética-disciplinar, o qual foi encaminhado à Comissão de Ética e Fiscalização Profissional, podendo ao final do julgamento resultar na aplicação das sanções cabíveis, tais como advertência, censura, multa, suspensão ou cancelamento do registro profissional."
Morte de corretora e prisão de suspeito
O corpo da corretora foi encontrado pela Polícia Civil de Goiás em uma área de mata.
A polícia afirma que a morte de Daiane pode ter acontecido em um intervalo de oito minutos. Isso porque esse foi o tempo entre o sumiço dela das imagens das câmeras de segurança e a passagem de outra moradora pelo local onde a vítima teria sido morta.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (28), a Polícia Civil de Goiás informou que o síndico confessou o crime ao colaborar com as investigações e indicar aos agentes o local onde o corpo da vítima foi abandonado.
Dinâmica do crime
Segundo a Polícia Civil, Cléber teria desligado propositalmente o fornecimento de energia do apartamento de Daiane, forçando-a a descer até o subsolo do prédio. No local, ele a teria abordado enquanto a vítima filmava os relógios de energia.
A investigação aponta que o crime pode ter ocorrido em um intervalo de aproximadamente oito minutos: Daiane desaparece das imagens às 19h, e às 19h08 as câmeras registram apenas a passagem de outra moradora pelo prédio.
Veja também: Caso de corretora morta em Goiás: até onde vai o poder do síndico?
A análise da polícia indica que Daiane foi morta dentro do condomínio e retirada já sem vida. A única imagem do suspeito registrada naquele dia é das 12h27. Ele não utilizou os elevadores, e os acessos às escadas não eram cobertos por câmeras de monitoramento.
Ocultação e confissão
O síndico levou os agentes até uma área de mata em Caldas Novas onde havia abandonado o cadáver. Embora a confissão não tenha sido feita em depoimento formal, na prática, a polícia já considera esse gesto como uma admissão de envolvimento no crime.
Michael, filho do síndico, foi preso por suspeita de obstrução da investigação. Segundo a polícia, ele teria substituído o celular do pai para prejudicar a coleta de provas e praticado outras ações para atrapalhar o trabalho das investigações.
A conclusão da Polícia Civil é que o síndico possuía "meios, modos e motivos" para o crime, fundamentados em um histórico de perseguição e nos 12 processos judiciais que a corretora movia contra ele. Cléber responderá por homicídio e ocultação de cadáver.


