Sequestro de filha leva à prisão do chefe do PCC Gerson Palermo
Líder do PCC foragido desde 2020 foi capturado na Bolívia em operação conjunta de forças policiais

A Polícia Civil do Mato Grosso do Sul informou que a prisão do narcotraficante internacional Gerson Palermo, que ocorreu nesta terça-feira (26), só foi possível após um sequestro orquestrado pelo próprio investigado contra sua filha, motivado por disputas relacionadas ao narcotráfico.
Gerson, um dos líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital), foi localizado na cidade de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, durante operação conjunta envolvendo forças policiais brasileiras e bolivianas.
Ele estava foragido desde 2020, quando recebeu o benefício de prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, mas fugiu.
Na ocasião do sequestro, ações integradas do GARRAS e Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) resultaram na localização e libertação da vítima, além da prisão de um dos sequestradores em Campo Grande.
A partir da conclusão do caso, foi possível, por meio de uma ação conjunta entre o Núcleo de Inteligência Policial da DEPCA, a Polícia Federal e a Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia (FELCN), localizar Gerson na região de Santa Cruz de La Sierra.
Ele é apontado, pelas autoridades, como integrante de organização criminosa ligada ao narcotráfico internacional, com atuação no tráfico transnacional de cocaína, lavagem de dinheiro e articulação logística entre o Brasil e a Bolívia.
Transferência para o MS
A PF (Polícia Federal) transfere, nesta quarta-feira (27), o traficante Gerson Palermo, chefe do PCC (Primeiro Comando da Capital), da Bolívia para o Mato Grosso do Sul. A previsão é de que o homem chegue em solo brasileiro por volta das 18h desta quarta.
Nesta terça, a Polícia Federal concluiu a investigação que mirava a fuga do traficante com suposta ligação ao desembargador Divoncir Maran, de Mato Grosso do Sul, e relatou o caso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).
O magistrado é citado em suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Relembre o caso
Maran deferiu um pedido para soltura do traficante Gerson Palermo, em 2020, do presídio federal de Campo Grande (MS). No mesmo dia, após receber o benefício de prisão domiciliar com uso de tornozeleira, ele quebrou o equipamento e fugiu.
Ele foi condenado a quase 126 anos de prisão e é apontado como um dos chefes do PCC (Primeiro Comando da Capital). Em agosto de 2000, Palermo participou do sequestro do Boeing 727 da antiga Vasp.
O avião saiu do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba e foi sequestrado cerca de 20 minutos após a decolagem. O avião foi forçado a pousar em Porecatu (PR), quando o grupo roubou malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões. Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão.
Já em março de 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In contra um esquema de tráfico internacional de drogas e Palermo foi apontado como um dos chefes do grupo.
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Segundo a investigação, a cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá (MS) e depois era levada em caminhões para outros estados, seguindo a rota do tráfico. Por tráfico e associação para o tráfico, Palermo foi condenado a mais 59 anos de prisão. Ao todo, as penas somam quase 126 anos.
*Sob supervisão de Thiago Félix


