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    Cerrado precisa de equilíbrio entre preservação e atividade econômica, diz pesquisador

    À CNN Rádio, Paulo Moutinho explicou projeto em que pesquisadores vão percorrer o Cerrado de bicicleta para mapear queimadas e preservação

    Área de cerrado desmatada para plantio no município de Alto Paraíso
    Área de cerrado desmatada para plantio no município de Alto Paraíso Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Amanda Garciada CNN

    O projeto Transcerrado chega a sua quarta edição neste ano. A expedição percorre 420 quilômetros, entre os dias 25 e 29 de julho, de bicicleta, para avaliar as condições do Cerrado brasileiro.

    Em entrevista à CNN Rádio, o pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Paulo Moutinho, explicou que a “ciência sobre duas rodas” é muito pautada no contato com a população local.

    “A ideia é não só fazer mapeamentos e levantamentos de preservação, como o volume de fogo na região, o quanto do Cerrado desapareceu, mas conversar com as pessoas.”

    Ao final do percurso, um relatório será produzido: “Esperamos que ele ajude na conservação. Já perdemos metade do bioma.”

    Na avaliação do pesquisador, além de políticas públicas, é necessária uma “decisão da sociedade brasileira para a preservação do que resta do Cerrado.”

    Ele acredita que “a grande política” é conciliar os dois mundos, de preservação e desenvolvimento econômico.

    “Precisamos de uma política não só de preservação, mas de desenvolvimento, inclusive econômico, há potencial de turismo de natureza muito grande. A política precisa sair do típico uso da terra, como gado e agricultura, que devem receber incentivos, mas as outras partes devem ser incentivadas também.”

    Paulo Moutinho defendeu a “produção com conservação”, já que a região tem 8 grandes bacias d’água que nascem lá: “Se perdemos, teremos problemas sérios de abastecimento, geração de energia e água potável”.

    *Com produção de Isabel Campos