Defensoria do RJ apura cinco mortes por falta de oxigênio em Arraial do Cabo

Março registrou cinco vezes mais ações por leitos de UTI do que o mês de janeiro

Beatriz Puente, da CNN, no Rio de Janeiro*

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Em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, a Defensoria Pública apura cinco mortes de pacientes de Covid-19 por falta de oxigênio no Hospital Geral local. Os relatos foram feitos por profissionais de saúde e familiares de pacientes do município e de cidades vizinhas. A Defensoria também apura a falta de medicamentos essenciais para a intubação de pacientes.

“Desde dezembro a Defensoria Pública tem percebido as precárias condições de atendimento do hospital de Arraial do Cabo. Em vistoria conjunta com o Cremerj, constatamos a falta de profissionais de saúde, de medicamentos e de insumos na unidade, essenciais para os pacientes infectados pela covid-19 no município” — explica a defensora pública Raphaela Jahara, da Coordenadoria de Saúde e Tutela Coletiva.

Em nota, a prefeitura de Arraial do Cabo afirmou à CNN que não houve desabastecimento de oxigênio na unidade, mas lamentou a morte de dois pacientes que vieram a óbito nos dias 27 e 28. A prefeitura disse que ambos morreram em função de complicações da doença, e não por falta de atendimento adequado ou falta de equipamentos. A nota também reforçou que a cidade não dispõe de Unidade de Terapia Intensiva, apenas enfermarias e Unidades de Pacientes Graves.

Pacientes da Covid-19 em estado grave necessitam de cilindros de oxigênio
Pacientes da Covid-19 em estado grave necessitam de cilindros de oxigênio para auxiliar na respiração
Foto: NN Brasil

 

Um levantamento da Defensoria Pública do Rio de Janeiro apontou que o número de ações registradas pedindo por um leito de UTI para tratamento de Covid-19 em março foi cinco vezes maior do que o registrado em janeiro. Neste mês, até este domingo (28), foram 67 ações, enquanto em todo o mês de janeiro o plantão noturno da Defensoria foi acionado 12 vezes por familiares que buscam internar parentes em leitos de tratamento intensivo para Covid-19. Em fevereiro foram 19 denúncias registradas. As ações foram ajuizadas pelo plantão noturno da Defensoria Pública do Estado do Rio (DPE).

Segundo a Defensora Isabel Fonseca, responsável pelo Plantão Noturno da DPRJ, as ações pediam a transferência para UTI de pacientes graves que aguardavam em Unidades de Pronto Atendimento ou em Emergências. Fonseca também afirmou que a maioria das ações foram ajuizadas contra a capital do Rio de Janeiro e municípios da Baixada Fluminense. 

Atualmente, 701 pessoas aguardam vaga para um leito de UTI nos 92 municípios fluminenses. Ao todo, incluindo a enfermaria, 1.033 pacientes infectados com o vírus ou com suspeita da doença estão na fila de espera por uma vaga em um hospital. 

Na última terça-feira (30), a Defensoria Pública do Rio de Janeiro garantiu decisão parcialmente favorável à Ação Civil proposta junto ao Tribunal de Justiça na qual solicitava a atualização e cumprimento do Plano Estadual de Contingência e a adoção de medidas mais restritivas por parte do município e do estado. Por conta das denúncias de desabastecimento em diversas unidades de saúde em todo o Estado, o plano incluiu a discriminação de todas as medidas adotadas emergencialmente para fornecimento de medicamentos, insumos, oxigênio e kits intubação.

Sob supervisão de Camille Couto*

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