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    Desmatamento na Amazônia cai, mas no Cerrado segue em alta, segundo Inpe

    Dados foram coletados por imagens de satélite no primeiro semestre de 2023

    Área desmatada em meio à floresta amazônica no município de Uruará, no Pará
    Área desmatada em meio à floresta amazônica no município de Uruará, no Pará 14/7/2021 REUTERS/Bruno Kelly

    Brenda Silvada CNN

    Brasília

    A área sob alerta de desmatamento na Amazônia sofreu uma queda de 33,6% nos seis primeiros meses de 2023 em comparação com o mesmo período do ano passado. Já o desmatamento no Cerrado aumentou em 21%.

    Os dados são do Deter, sistema de detecção de desmatamento em tempo real por meio de satélite, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O apanhado do primeiro semestre de 2023 foi apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente nesta quinta-feira (6).

    Na Amazônia, em comparação com junho de 2022, houve queda na área sob alerta de desmatamento em 41% em junho deste ano. Nos primeiros seis meses de 2023, foram identificados 2.649 km² em área desmatada. O índice já vinha diminuindo desde janeiro.

    Para a pasta, a curva de aumento do desmatamento nos últimos anos foi revertida. “Nós atingimos o primeiro objetivo fundamental que foi reverter a tendência de alta e hoje nós temos claramente uma tendência de queda, que vai mostrar sua força para reduzir a taxa no mês de julho”, explicou o secretário-executivo do Meio Ambiente, João Capobianco.

    Os dados de junho são mais confiáveis do que os outros meses porque a quantidade de nuvens é menor, devido à seca, e o satélite consegue captar com maior exatidão as áreas desmatadas, explicou Capobianco. A tendência é que, em julho, o número seja menor.

    Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a queda dos índices de desmatamento na Amazônia se deve a “um conjunto de ações de comando e controle” que vai desde o aumento da fiscalização até uma ação coordenada com os estados. “É um processo de dissuasão que vem sendo feito mostrando que não haverá conivência com a criminalidade”, afirmou a chefe da pasta.

    Já no Cerrado, quando comparado com o mesmo mês no ano passado, a área desmatada sofreu uma queda de 14,6% em junho de 2023. Entretanto, os dados somados do primeiro semestre — 2.208 km² de área desmatada — mostram um aumento de 21% em comparação à média dos últimos anos.

    Para o ministério, a necessidade de ações voltadas para o Cerrado se tornou tão urgente quanto para a Amazônia. Em julho, está previsto o lançamento do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento no Cerrado (PPCerrado), semelhante ao PPCDam — referente à Amazônia Legal.

    As iniciativas são pacotes de medidas para aumentar as políticas de proteção ambiental. O PPCDam foi relançado em 5 de junho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela ministra, mas foi criado no primeiro governo do petista.

    Marina considera o resultado do desmatamento no Cerrado positivo diante do contexto. “Não vamos nos esquecer que no mês passado nós registramos uma tendência preocupante de alta e agora, com articulação e com o governo dos estados que mais desmatam o cerrado, já identificamos uma queda de 14% e uma sinalização de um trabalho conjunto na mesma direção”, disse a ministra.

    Ao término da coletiva, Marina também fez referência a governos anteriores e aos conflitos com a pasta. “A gente voltou a ter transparência, ninguém fica brigando com os dados do satélite, escondendo satélite, querendo demitir o presidente do Inpe se o dado não é correto. O que nós estamos fazendo é mostrando com transparência o que está acontecendo no território.”

    O Deter produz um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura vegetal na Amazônia e no Cerrado. Apesar de não medir com precisão as áreas desmatadas, apresenta as tendências de evolução do desmatamento. Os dados exatos são reunidos pelo Prodes, também uma iniciativa do Inpe, anualmente.