Educação vira arma para combater a desigualdade racial no Brasil

Negros ocupam menos de 3% dos cargos executivos no Brasil

Matheus Meirellesda CNN

Em São Paulo

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A educação pode ser a arma para combater a desigualdade racial após 133 anos da abolição da escravatura, servindo de alicerce para oportunidades, empreendedorismo, entender e promover a representatividade.

Atualmente, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que homens e mulheres negras ocupam menos de 3% dos cargos executivos no Brasil. Nas universidades, apenas 16,4% dos professores são pretos ou pardos – no ensino superior público, o número é ainda menor: 14,4%. Dentro desse universo, 45% dos docentes negros tem mestrado e 30%, doutorado.

“A gente tem 10 anos de lei de cotas e não conseguiu atingir, nosso objetivo, pois ainda existe muita resistência”, diz o advogado Ewerton Carvalho. Nascido e criado na periferia de São Paulo, ele escapou da criminalidade e foi parar na Uniafro, instituição que promove o ingresso de pretos e pobres na universidade. Mas ao entrar na faculdade, deparou-se com um ambiente com poucos negros. “É assustador, assim… Eu fiz cinco anos e não tive um professor negro”, surpreende-se.

O caminho até os postos de liderança é longo. “A prioridade delas é arrumar um emprego para melhorar as condições de vida da família, então muitas não optam pela magistratura ou carreira acadêmica. Você precisa passar quatro, cinco anos estudando para o concurso, pelo menos seis anos para poder se tornar doutor em Direito e ir para o mercado de trabalho”, explica o professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Adilson Moreira, doutor em Direito.

Ele vê avanços nos últimos anos. “Vimos o aparecimento de programas de cotas raciais no ensino superior, no serviço público, também temos observado um número cada vez maior de adoção de programas de diversidade no setor privado.

A advogada e comunicadora Monique Prado questiona o cenário do mercado de trabalho. “Será que as empresas estão tendo a responsabilidade social e o compromisso de absorver profissionais negros? Precisamos entender que a questão racial é a questão do século”.

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