‘Em nenhum lugar do mundo a polícia é recebida por fuzis e granadas’, diz Castro

Operação policial no Rio de Janeiro resultou em 28 mortes, sendo 27 civis e um policial que participava da ação

Anna Gabriela Costa, da CNN, em São Paulo

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Um dia após a operação realizada pela Polícia Civil na comunidade Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, o governador Claudio Castro comentou, nesta sexta-feira (7), sobre a ação. Para Castro, a polícia cumpria seu dever e afirmou que “em nenhum lugar do mundo a polícia é recebida por fuzis e granadas quando vai cumprir seu papel.”

A operação, que resultou em 28 mortes, sendo 27 civis e um policial que participava da ação, aconteceu nesta quinta-feira (6) e repercutiu nos principais jornais do mundo. 

“A reação dos bandidos foi a mais brutal registrada nos últimos tempos, armas de guerra prontas para repelir a ação do estado e evitar as prisões a qualquer custo, em nenhum lugar do mundo a polícia é recebida por fuzis e granadas quando vai cumprir seu papel, desde o ocorrido determinei total transparência ao processo”, afirmou o governador do Rio de Janeiro. 

O governador afirmou que a ação realizada no Jacarezinho foi o “fiel cumprimento de dezenas de mandados”.

“Antes de mais nada é preciso deixar claro que a operação de ontem, realizada pela Polícia Civil foi o fiel cumprimento de dezenas de mandados expedidos pela Justiça, foram 10 meses de trabalho de investigação que revelaram a rotina de terror e humilhação que o tráfico impôs aos moradores, crianças eram aliciadas e coaptadas para o crime, famílias inteiras eram expulsas de suas casas e mortas”, disse Castro.

Cláudio Castro reiterou, em um vídeo enviado à imprensa, que a segurança pública sempre foi sua preocupação e que dará importância para este setor no Rio de Janeiro.

“Desde que assumi, em agosto do ano passado, iniciamos um duro combate às milícias, algo que há muito tempo não era feito. Prendemos mais de 600 milicianos e bloqueamos 1,5 bilhão de reais das quadrilhas. Em março atingimos o menor índice de homicídios dolosos, tivemos reduções importantes em todos os índices de roubo, em três meses retiramos mais de 130 fuzis das mãos de bandidos”, afirmou. 

Operação da Polícia Civil no Jacarezinho resultou em 25 mortes
Operação da Polícia Civil no Jacarezinho resultou em 25 mortes (06.mai.2021)
Foto: Reprodução / CNN

Providências

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Procuradoria-Geral de Justiça no Rio de Janeiro tomem providências sobre a ação policial na favela do Jacarezinho que deixou 25 mortos nesta quinta-feira (6).

Castro ligou para o procurador-geral da República, Augusto Aras, e disse que vai enviar todas as informações que foram solicitadas sobre a operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

A PGR quer entender se a ação da polícia do Rio de Janeiro feriu a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que veta operações em comunidades durante a pandemia do coronavírus.

Operação

A Polícia Civil afirma que deflagrou uma operação contra uma organização criminosa responsável por homicídios, roubos, sequestros e aliciamento de menores no Rio de Janeiro e informou que um policial morreu na ação. As outras 27 pessoas mortas seriam suspeitos de envolvimento com o crime, de acordo com a polícia. 

Duas pessoas que estavam em uma composição do metrô parada na estação de Triagem foram atingidas por balas perdidas, segundo a polícia, e ficaram feridas. Os passageiros foram socorridos e levados aos hospitais Salgado Filho e Souza Aguiar, na capital fluminense.

Segundo a polícia, a maioria dos mortos era de suspeitos de integrar o tráfico
Segundo a polícia, a maioria dos mortos era de suspeitos de integrar o tráfico
Foto: Vanessa Ataliba/Zimel Press/Estadão Conteúdo

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