Entenda como se formou o ciclone Yakecan, que atingiu o Sul do Brasil

Tempestade chegou à costa gaúcha na segunda-feira (16); ventos passaram de 100 km/h em Santa Catarina

Moradores de praia em Florianópolis (SC) prepararam barreiras com sacos de areia para conter o mar antes da chegada do ciclone subtropical na cidade
Moradores de praia em Florianópolis (SC) prepararam barreiras com sacos de areia para conter o mar antes da chegada do ciclone subtropical na cidade Anderson Coelho/Ishoot/Estadão Conteúdo

Ingrid Oliveirada CNN

em São Paulo

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A região Sul do Brasil foi afetada ao longo da semana pela chegada do ciclone subtropical Yakecan. A tempestade já perdeu força, mas a Defesa Civil permanece com os alertas para as regiões litorâneas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Os ciclones são sistemas de baixa pressão atmosférica em que os ventos se movimentam de modo que haja convergência a partir de seu centro. O termo é um nome genérico usado para descrever o fenômeno que se forma nessas áreas.

Normalmente, esses ciclones surgem principalmente sobre os oceanos, em geral em regiões tropicais (entre os trópicos de Câncer e Capricórnio), podem durar vários dias e se deslocar por longas distâncias, tornando-se, em alguns casos, muito intensos.

Em coletiva na segunda-feira (16), Marcia Seabra, coordenadora de Meteorologia do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), disse que a diferença dessa tempestade é que ela terá deslocamento em direção ao continente e a chegada à costa do Rio Grande do Sul.

Toda frente fria, como essa que atinge o Brasil, tem um ciclone extratropical associado. No caso do Yakecan, em específico, ele se desprendeu da frente que o acompanhava e mudou de categoria — para subtropical, por estar no extremo sul do Rio Grande do Sul, disse ela.

Classificação do Yakecan

O nome Yakecan significa “som do céu” na língua tupi-guarani, e foi batizado seguindo a Norma da Autoridade Marítima para Meteorologia Marítima (Normam) –que nomeia ciclones atípicos (subtropicais e tropicais).

Segundo Miguel Ivan, diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), “quando a Marinha nomeia um ciclone é porque ele tem relevância e pode impactar a vida de pessoas”, disse.

Segundo o Inmet, a passagem de um ciclone não é motivo para pânico, mas é necessário ter atenção. “O Yakecan é uma situação de cuidado e atenção: 100 km/h de intensidade é muito. Vento a 100 km/h é bem forte”, afirmou Ivan.

Ainda segundo o representante do instituto, ventos com velocidade de até 120 km/h são classificados como tempestade tropical. Acima disso, passam a classificados como furacão.

Segundo o Climatempo, a ventania impulsionada pela tempestade atingiu 107,6 km/h na região de Siderópolis, no sul de Santa Catarina –sendo a maior intensidade já registrada pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram).

Tempestade começa a perder força

Apesar de a tempestade já estar perdendo força, o ciclone continua a impulsionar queda nas temperaturas do país. Os avisos meteorológicos envolvem risco de chuvas intensas, ondas de frio, vendaval e baixas temperaturas.

Na terça-feira, 17, um pescador morreu em Porto Alegre (RS) depois que o barco em que ele estava ter virado após a ventania.

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