Focus Energia: Com 22% da capacidade, reservatórios devem atingir 16% em um mês

Em entrevista à CNN, o presidente da Focus Energia liga a deterioração da expectativa à elevação das temperaturas, que fez o consumo de energia subir

Produzido por Thiago Felixda CNN

em São Paulo

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A crise hídrica se agrava no Brasil. Atualmente com 22% da capacidade de seus reservatórios, o país ainda deve ser uma piora desse cenário, segundo o presidente da Focus Energia, Alan Zelazo. “A gente terminou o ano — o último período úmido –, com aproximadamente 44% dos reservatórios. Hoje, estamos com 22% e a nossa expectativa para o final de outubro é chegar a 16%”, disse à CNN neste sábado (28).

O especialista destaca ainda que houve uma deterioração da expectativa nas últimas semanas, por causa da elevação das temperaturas, que fez o consumo de energia subir. “Há um mês, a previsão para os reservatórios no final de outubro ficava em 19%. Já temos uma diferença importante de 3 pontos para o final de outubro.”

Adotar medidas que incentivem o menor consumo nas residências é a única saída para economizar energia sem afetar o funcionamento das indústrias, segundo Zelazo. “É muito prudente que a gente comece pelas residências, pelo consumidor residencial, para ele ter algum tipo de estímulo econômico e a gente comece a guardar mais água nos reservatórios. O nosso sistema é feito por oferta e demanda: ou vai chover ou temos que diminuir o consumo.”

Sobre o horário de verão, que deixou de valer após decreto presidencial de 2019, Zelazo não acha que as alterações no horário ajudariam, caso a regra voltasse a valer, e cita estudo do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que não vê como significativo o impacto dessa ação. “O horário de verão não estava impactando de forma relevante o nosso consumo. Hoje, o horário de pico de consumo de energia é das 14h às 17h.”

O especialista também defende que não será necessário chover acima da média dos últimos 90 anos para que o Brasil restabeleça seus reservatórios. “Uma chuva de outubro até abril do ano que vem, de 80% da média dos últimos 90 anos, já será o suficiente para que, junto a fontes eólicas, solar e as termelétrica ativadas, a gente passe mais um ano até ver um período úmido para restabelecer um nível de segurança nos reservatórios”.

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