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    Governador do Rio chama vítimas de chacina do Jacarezinho de “vagabundos”

    Operação policial na comunidade foi a mais letal da história da capital, com 28 mortes

    Policiais durante operação de ocupação do Complexo do Jacarezinho na cidade do Rio de Janeiro (RJ)
    Policiais durante operação de ocupação do Complexo do Jacarezinho na cidade do Rio de Janeiro (RJ) Marcos Vidal/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Cleber Rodriguesda CNNTiago Tortella

    O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), chamou os mortos na operação policial na favela do Jacarezinho em maio de 2021 de “vagabundos”. Esta foi a ação mais letal da história da capital fluminense, na qual 28 pessoas morreram, incluindo um policial. Também em maio, a Polícia Civil destruiu um memorial feito na comunidade sobre o ocorrido.

    “Cada policial que eu perco, eu perco duas vezes. Por isso que aquele memorial lá, nós tombamos ele. O nome do André [o policial] não merece estar no meio de 27 vagabundos. O único herói que merecia um memorial é o André com seu filho, da idade do meu, que chora até hoje”, disse.

    Castro se referiu ao policial civil André Leonardo de Mello Frias, morto na operação, e que estava com o nome na placa retirada pela polícia. A Polícia Civil informou na ocasião que o nome do agente na homenagem foi negada pela mulher de Frias.

    A declaração do governador aconteceu durante pronunciamento à imprensa nesta segunda-feira (30), mesmo dia em que policiais militares de uma companhia e oito batalhões do Rio de Janeiro passaram a usar o dispositivo em atividades externas. As imagens serão preservadas por um ano.

    “Nós acreditamos que essa junção entre o policial que está na rua e o centro de monitoramento vai ser a fórmula que essa tecnologia vai dar um grande resultado. Todo aprendizado é aprendizado. Teve-se o aprendizado com as câmeras nas viaturas. Algumas coisas funcionaram e outras não, e essa curva de aprendizado veio para que a gente não erre outra vez”, afirmou o governador.

    Perguntado sobre a possibilidade de outros batalhões policiais, e até a Polícia Civil, utilizarem câmeras no uniforme, Castro respondeu que “operação é planejada, tem estratégia e tem sigilo. Há de se tomar muito cuidado, principalmente pensando na vida do policial”.

    “Não posso colocar o meu policial, que já está na linha de frente, trocando tiro (…) Como é que vou expor a estratégia dele? Então há de se ter um cuidado muito grande para não virar uma carnificina de policiais. Lá, do outro lado, também tem gente estudando os nossos passos. Eu não vou botar a vida do policial em risco”, complementou.

    “Por isso eu não posso expor a estratégia nem da Polícia Militar, nem da Civil. Isso é uma curva de aprendizado. A hora que a polícia achar que nós já temos a condição e a forma de fazer as gravações, a polícia dirá a melhor hora”, finalizou.

    Operação na Vila Cruzeiro deixa 23 mortos

    No dia 24 de maio, uma operação policial conjunta entre Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal (PRF) na Vila Cruzeiro, na região da Penha, deixou 23 pessoas mortas. Uma delas, Gabrielle Ferreira da Cunha, foi atingida por uma bala perdida.

    O objetivo, segundo a Polícia Militar, era prender lideranças criminosas escondidas na comunidade, inclusive pessoas que vieram de outros estados, como Amazonas, Alagoas e Pará.

    O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e o Ministério Público Federal (MPF) instauraram Procedimento Investigatório Criminal para apurar as mortes. A ONU requisitou a apuração do caso, que também foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos.

    Durante a coletiva desta segunda-feira (30), Cláudio Castro também comentou o prazo de 30 dias imposto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que o governo estadual ouça órgãos para um plano de redução da letalidade em ações policiais.

    O governador informou que conversou com o ministro Edson Fachin na última sexta-feira (27), e que devem se encontrar pessoalmente na próxima quarta-feira (1).

    “A decisão chegou na própria sexta-feira e na sexta mesmo eu já encaminhei para o Instituto de Segurança Pública um pedido para marcar as audiências públicas. A minha determinação é cumprir os 30 dias determinados pelo STF. Decisão judicial se cumpre”, observou, adicionando que ao longo das próximas semanas serão feitas audiências públicas.