Grande SP será dividida para afrouxamento, mas só capital pode reabrir comércio

Prefeitos da região argumentam que suas cidades têm índices de combate à pandemia de Covid-19 melhores que os da capital

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB)
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) Foto: Divulgação - 29.mai.2020/Governo do estado de São Paulo

Reuters

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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse nesta sexta-feira (29) que a região metropolitana da capital paulista será dividida em cinco regiões de saúde dentro do plano de relaxamento da quarentena anunciada nesta semana, mas o governo estadual decidiu que nenhuma das cidades da Grande São Paulo poderá seguir a capital e reabrir comércio e shoppings neste primeiro momento.

O anúncio, feito em entrevista coletiva, atende parcialmente à reclamação de prefeitos das cidades da Grande São Paulo, considerada como uma só região no plano anunciado na quarta-feira (27) e classificada na fase 1 do plano de relaxamento — que não permite abertura de nenhuma atividade não essencial, exceto pela indústria e a construção civil.

Alguns prefeitos do entorno da capital argumentam que suas cidades têm índices de saúde e de combate à pandemia de Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus, melhores que os da capital e reivindicam que seus municípios também entrem na fase 2 do relaxamento assim como a capital. O fato de isso não ter ocorrido deve gerar atrito com esses chefes de Executivo municipais.

“Dialogamos com cada um dos prefeitos explicando a necessidade de aumento da capacidade hospitalar dessas regiões. Nós vamos trabalhar em conjunto com os prefeitos. É esse o índice que está indicando que a região metropolitana deve melhorar para avançar à próxima fase”, disse o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi.

“Não existe nenhuma alteração imediata de fase em nenhuma das cinco regiões da região metropolitana da região metropolitana de São Paulo”, acrescentou.

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A cidade de São Paulo, que é o epicentro da pandemia no Estado — por sua vez, o epicentro do surto de Covid-19 no Brasil — tem, de acordo com o prefeito Bruno Covas (PSDB), 56.775 casos confirmados da doença e 3.719 mortes. A ocupação de leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) está em 79,7% — índice que na véspera era de 92%.

Covas já adiantou que comércio e shoppings centers não reabrirão a partir de 1º de junho, quando começa o plano de relaxamento anunciado pelo Estado.

“Na cidade não reabre nada a partir de 1º de junho. A partir de 1º de junho a gente passa a receber protocolos setoriais”, disse ele, acrescentando que somente a aprovação desses protocolos pelo governo municipal permitirá a reabertura.

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Alguns consórcios intermunicipais que reúnem cidades da região metropolitana da capital manifestaram “indignação” com o fato de as cidades do entorno não terem sido contempladas com a possibilidade de reabertura, como ocorreu com a capital.

Representantes de consórcios como os do Grande ABC e do Alto Tietê –que engloba a região da cidade de Guarulhos– afirmaram, quando o plano foi anunciado na quarta, que podem adotar medidas legais para que as cidades dessas regiões possam reabrir alguns setores na segunda-feira.

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