Human Rights Watch pede que Polícia Civil seja investigada por operação no Rio

Ação na comunidade do Jacarezinho no início do mês resultou na morte de 28 pessoas, entre elas um policial civil

Operação da Polícia Civil no Jacarezinho resultou em 25 mortes (06.mai.2021)
Operação da Polícia Civil no Jacarezinho resultou em 25 mortes (06.mai.2021) Foto: Reprodução / CNN

Ana Lícia Soares, da CNN, no Rio de Janeiro

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A organização Human Rights Watch do Brasil, que trabalha pelos direitos humanos, defende que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro investigue, nas esferas cível e criminal, o alto escalão da Polícia Civil e não só os policiais que atuaram na operação na comunidade do Jacarezinho, na Zona Norte, que terminou na morte de 28 pessoas no dia 6 de maio.

No documento de dez páginas, a HRW informa que, após examinar registros de ocorrência, documentos enviados pelos hospitais para onde as vítimas foram levadas, depoimentos de testemunhas, vídeos e fotos, concluiu haver “evidências graves de violação de direitos humanos”. A organização também quer saber se a Polícia Civil violou as determinações do Supremo Tribunal Federal.

A diretora da HRW, Maria Laura Canineu, explica que no documento que a Polícia Civil enviou à Procuradoria-Geral da República informava que o objetivo da operação era cumprir 21 mandados de prisão. Para ela, os mandados de prisão não justificam a letalidade ocorrida.

“Nós analisamos essas denúncias e vimos que as únicas evidências apresentadas eram imagens postadas nas redes sociais que, segundo os promotores, mostram os suspeitos com armas e drogas. A denúncia os descreve como membros do baixo escalão de uma facção criminosa. Não parece que a execução dos mandados justifique tamanha letalidade”, afirma.

Ainda de acordo com Maria Laura, houve destruição de provas após a operação.

“A Polícia Civil somente apreendeu 26 armas dos policiais, sendo que 200 participaram da operação, e a declaração inicial dos policiais é muito superficial, tem apenas 5 linhas cada, nem explicam exatamente o que aconteceu, além de eles terem falado em grupo, nem sequer individualmente. A aparente destruição de provas juntamente com essas deficiências iniciais compromete sobremaneira a investigação depois e tornam mais difícil a responsabilização final pelos excessos cometidos durante a operação” acrescenta.

Procurada, a Polícia Civil informou que as circunstâncias de eventuais socorros para encaminhamento à unidade hospitalar e da retirada de corpos e feridos serão esclarecidas durante a investigação policial, que está em andamento e sendo acompanhada pelo Ministério Público. A Polícia Civil disse também que vai aguardar o término da investigação para emitir opinião.

O Ministério Público do Rio disse que todos os depoimentos, inclusive dos policiais envolvidos, serão tomados no procedimento criminal que investiga as circunstâncias das mortes ocorridas na operação.

 

 

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