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    Idade continua sendo motivo de preconceito e discriminação

    Etarismo continua sendo obstáculo na vida de pessoas mais velhas, sobretudo no mercado de trabalho

    Alisson NegriniRaphael Buenoda CNN

    Em São Paulo

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    Envelhecer é um processo natural da vida, mas que muita gente custa a aceitar. O problema fica ainda maior quando a própria sociedade discrimina os mais experientes, principalmente quando o mercado de trabalho fecha as portas.

    Segundo uma pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2016 com mais de 80 mil pessoas em 57 países, 60% dos entrevistados se incomodam com o envelhecimento.

    Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade cheia de preconceitos, entre eles, a discriminação por idade, revelada em atitudes ou frases como “você não tem mais idade para isso”. E essa forma de discriminação tem nome: se chama etarismo.

    “Etarismo, ageísmo ou idatismo é uma forma de preconceito relacionado a qualquer idade, mas, com certeza, tem mais impacto quando é dirigida a pessoas idosas, e, na questão da pessoas idosa, esse efeito é devastador no aspecto emocional, psicológico, levando as pessoas a ficarem deprimidas e, assim, isoladas, a se afastarem do convívio social, porque elas podem ser ridicularizadas, elas são deixadas de lado, elas se tornam invisíveis”, disse Ivete Berkenbrock, presidente da Sociedade Brasileira de Gerontologia e Geriatria.

    Nunca é tarde para um novo início

    Para Rosa Saito, idade não define uma pessoa. Aos 70 anos de idade, ela deixou o trabalho de artesã para se dedicar a vida de modelo, posando para fotos, capas de revistas e comerciais.

    “Muitos jovens estranharam um pouco, mas acho que isso foi uma coisa bem passageira, porque acabamos interagindo, e muito bem”, disse ela.

    Eu nunca me imaginei modelo, então, de repente, eu me redescobri, porque era algo que eu nunca havia sonhado e aconteceu na minha vida aos 68 anos… Nossa, é muito gratificante o que eu faço. Você sente que falta muita coisa ainda pra se aprender

    Rosa Saito, modelo

    Mercado de trabalho

    A analista de negócios digitais Maria Cristina Saldanha foi contratada em uma empresa de cartão de crédito por meio de um projeto focado na inclusão de pessoas com mais de 50 anos.

    “Hoje eu tenho orgulho de falar que eu tenho 52 anos, antes eu não tinha, eu tinha vergonha, porque eu falava assim: já existe um preconceito, um olhar diferente pra esse profissional. Então, hoje eu sou muito grata pela empresa que me acolheu, porque me fez aceitar minha idade. A idade está na cabeça, eu sei que eu consigo produzir tanto quanto um mais jovem consegue produzir”, disse Maria Cristina Saldanha..

    “Esse programa está trazendo muita coisa boa pro mercado e pra ser seguido por outras corporações, tem que ser implantado e com urgência, porque a força de trabalho está envelhecendo, a nossa pirâmide etária aqui no Brasil já está no meio da inversão. Então, as corporações têm que olhar de uma maneira estratégica mesmo”, disse Fabiana Granzotti, gerente de projetos da Maturi.

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