Mais de 1.500 famílias foram retiradas de casa pelas chuvas em SP, diz secretário
Marco Vinholi rebateu as declarações do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, de que os pedidos de recursos de São Paulo ao governo federal buscam um "embate político"
Diante das fortes chuvas que atingiram o estado de São Paulo na madrugada do último domingo (30) e provocaram a morte de pelo menos 24 pessoas em oito municípios paulistas, o secretário estadual de Desenvolvimento Regional de São Paulo, Marco Vinholi, afirmou em entrevista à CNN nesta segunda-feira (31) que 1.500 pessoas tiveram de ser retiradas de suas casas.
"Nós vamos seguir batalhando por essas famílias e corrigir o que tivemos de impacto ao longo desses últimos dias", disse o secretário.
Vinholi também fez críticas às declarações do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, de que o governo de São Paulo busca fazer um embate político ao enviar um ofício ao governo federal solicitando R$ 471,8 milhões para atender aos municípios atingidos pelo temporal— aproximadamente R$ 50 milhões para os impactos das chuvas e R$ 220 milhões para obras anti-enchentes.
"Me causa estranheza a manifestação de um ministro de Estado no momento em que passa São Paulo frente ao impacto das chuvas. Vou me abster de falar sobre o ministro e de registrar que isso sim é uma fala política", disse o secretário de São Paulo.
De acordo com Vinholi, o pedido de recursos ao governo federal foi feito com base nas famílias impactadas, reconstrução da infraestrutura urbana dos municípios afetados e financiamento de piscinões anti-enchentes para evitar possíveis tragédias.
"Se isso é considerado um pedido político, eu imagino o que deve ser um pedido técnico no momento em que passa São Paulo, com um impacto dessa ordem em decorrência das chuvas", pontuou.
O secretário considerou a resposta do ministério como "confusa", e ainda afirmou que o governo estadual de São Paulo já investe quase R$ 500 milhões em obras anti-enchentes, como piscinões, encostas na Baixada Santista e assoreamento de rios.
Marco Vinholi, disse que, nas 72 horas do final de semana, alguns municípios ultrapassaram o volume de 300 mm de chuva — superior ao previsto em todo o mês de janeiro. De acordo com o secretário, muitas cidades afetadas possuem dificuldades de arrecadação e, sem dúvidas, precisarão de mais investimentos na recomposição de infraestrutura urbana como reconstrução de vias urbanas e pontes.
Vinholi reforçou a necessidade de ajuda do governo federal, mas reforçou que "o governo do estado não vai deixar os municípios na mão".
Segundo o secretário, todo o rito processual para a solicitação de recursos à União estão sendo cumpridos, ao contrário do que afirmou o ministro Rogério Marinho. "Inclusive com o rito correto estamos esperando desde fevereiro de 2020 a resposta do governo federal pra investimentos como no piscinão do Jaboticabal", pontuou.
Vinholi ainda disse acreditar que "é o momento de tirarmos essa conotação política", e avaliou que os R$ 50 milhões solicitados pelo governo estadual são cerca de um quarto do que os municípios paulistas precisarão para recomposição.
"É muito abaixo do que vai ser necessário, em termos de investimentos, para apoiar os municípios a se reerguerem nesse momento pós-chuvas", concluiu o secretário de Desenvolvimento Regional de São Paulo.

