Mercado repercute avanço diplomático na Ucrânia, com juro no Brasil e EUA no radar

Desenrolar dos conflitos na Ucrânia e em decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos estão no foco dos investidores nesta quarta-feira (16)

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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Os mercados globais seguem de olho na guerra na Ucrânia e em decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos nesta quarta-feira (16).

Começando pelo exterior, os futuros americanos sobem conforme os mercados observam sinais de avanços diplomáticos da guerra. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sinalizou ontem que a Ucrânia não deve aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por enquanto e disse que as negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia estão parecendo mais realistas.

Mas Zelensky disse que é preciso mais tempo para avaliar de fato, já que ataques aéreos russos continuam atingindo áreas residenciais na Ucrânia.

O mercado também fica de olho na decisão de juros dos Estados Unidos. Rendimentos de títulos do tesouro atingiram o maior nível desde 2019, antecipando o primeiro aumento dos juros dos EUA em três anos. A expectativa é que a taxa suba 0,25 ponto percentual. Mas a maior dúvida está nos detalhes sobre como o Fed – o banco central americano – planeja encerrar seu programa de compra de títulos.

Na terça-feira (15), as bolsas subiram depois que petróleo e commodities despencaram, aliviando os temores de uma postura mais dura do Fed. Por outro lado, a inflação ao produtor subiu forte em fevereiro.

Com a guerra tornando o cenário mais incerto as dúvidas sobre os próximos passos do Fed aumentaram.

Na Ásia, as bolsas fecharam em alta. Além de refletir Nova York, os índices recuperaram as perdas dos últimos dias depois que o governo prometeu ações para manter a estabilidade dos mercados e estímulos à economia. Também ajudou a ligeira queda nos novos casos de Covid-19.

Na Europa, as bolsas subiram refletindo a redução de tensão no cenário global.

Brasil

No Brasil, a bolsa caiu na véspera pelo quarto dia seguido, puxada por quedas de petróleo e commodities. Investidores ficam de olho na decisão de juros por aqui. A expectativa é que a Selic – a taxa básica de juros – suba 1 ponto percentual, para 11,75%.

Mas com a previsão de inflação subindo para mais de 6% em 2022 em meio à guerra na Ucrânia, alguns bancos chegam a apostar em altas de até 1,5 ponto percentual.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) assinou o decreto que zera até 2028 o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre operações de câmbio.

O governo vai antecipar o pagamento do 13º de aposentados do INSS, o que deve injetar R$ 56 bilhões na economia. A antecipação faz parte de um pacote de medidas de emprego e renda que deve ser divulgado amanhã e vai incluir saque de R$ 1.000 do FGTS.

Entre as empresas, destaque para a baixa de quase 9% da Magalu, após o balanço abaixo do esperado.

Índices

O Ibovespa futuro sobe 1,16% com 110.010 pontos. O dólar cai 0,74% sendo cotado a R$ 5,12 e o S&P futuro sobe 1,27%.

Agenda do Dia

O IBGE divulgou pela manhã o resultado do setor de serviços, que caiu 0,1% em janeiro depois e dois meses de alta. Está prevista para às 10h reunião na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da reforma tributária. Dados de fluxo cambial devem sair às 14h30. A partir das 18h30, destaque para a taxa Selic.

Os balanços seguem, com destaque para loja Marisa, MRV e Petz.

Nos EUA, destaque para os dados do varejo e a decisão dos juros, que deve ser divulgada às 15h no horário de Brasília.

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