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    Mortes de botos no Amazonas refletem problemas do ecossistema da região

    Força-tarefa investiga mortandade de botos no Lago Tefé, região que vem sofrendo as consequências de uma severa estiagem

    Pesquisadores têm feito análises nos botos que morreram no Amazonas
    Pesquisadores têm feito análises nos botos que morreram no Amazonas Divulgação/Pesquisadora Marina Galvão Bueno

    Isabelle Salemeda CNN

    São Paulo

    A mortandade de botos no Lago Tefé, no interior do Amazonas, pode indicar que ecossistema da região está afetado.

    “Por estarem no topo da cadeia alimentar, os botos são considerados sentinelas da saúde e da qualidade ambiental do ecossistema da região”, explica a pesquisadora Marina Galvāo Bueno, do Laboratório Virologia Comparada e Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que participa da força-tarefa que investiga a súbita mortandade dos botos, que “aponta que, possivelmente, todo o ecossistema já esteja afetado”.

    Mais de 150 animais foram encontrados sem vida na região, que vem sofrendo as consequências de uma severa estiagem.

    O animal mais atingido é o boto vermelho, também conhecido como boto-cor-de-rosa, um dos principais símbolos da fauna amazônica. Os botos tucuxis, espécie de golfinho de água doce, também foram bastante afetados.

    Ainda sem respostas

    A Operação Emergência Botos Tefé foi instaurada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, com apoio técnico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, associado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

    Ainda não há uma causa definida para o incidente. As amostras de tecidos e órgãos analisados até o momento pela força-tarefa não apontaram a presença de agentes infecciosos, como vírus e bactérias, capazes de justificar o elevado número de mortes.

    Instituições nacionais e internacionais estão divididas em grupos de trabalho dedicados ao recolhimento e necropsia de carcaças para análises.

    “Assim que as carcaças são localizadas, a equipe realiza as necropsias e documenta todas as lesões. O grupo está equipado com todas as medidas de biossegurança e materiais necessários para coleta de material biológico para avaliações histológicas, toxicológicas e de biologia molecular”, relata a pesquisadora. Além disso, os especialistas estão fazendo uma avaliação da qualidade da água e resgate e reabilitação de animais sobreviventes.

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    “Expostas às mesmas condições”

    O Amazonas enfrenta um período de forte seca e diversos focos de calor. A temperatura da água na região do Lago Tefé chegou a 39,1°C em medição realizada no dia 28 de setembro — muito acima do normal para a localidade, que é de cerca de 30°C.

    De acordo com o boletim de estiagem do estado nortista, divulgado em 15 de outubro, 50 dos 62 municípios do Amazonas estão em situação de emergência.

    “É uma situação que vai além da conservação da biodiversidade, que também é extremamente importante. Há muitas pessoas que moram na região e compartilham o mesmo ambiente que os botos, utilizando a água do rio Tefé para locomoção, alimentação e higiene pessoal. Elas estão expostas às mesmas condições que causaram a morte dos botos. Portanto, também é uma questão de saúde humana”, destaca Marina.

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