MPDFT denuncia jovem picado por naja e mais 3 por comércio ilegal de serpentes

Além do estudante, a mãe, Rosemeire Santos Lehmkuhl, o padrasto, Clóvis Eduardo Conde, e um amigo dele, Gabriel Ribeiro de Moura, também foram denunciados

Mathias Brotero e Vianey Bentes, da CNN, em Brasília
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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) informou nesta sexta-feira (4) que denunciou quatro envolvidos na criação e venda ilegal de serpentes no Distrito Federal. Entre eles está o estudante veterinária Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, que foi picado por uma cobra naja criada ilegalmente por ele. 

Além do estudante, a mãe dele, Rosemeire Santos Lehmkuhl, o padrasto, Clóvis Eduardo Conde, e um amigo, Gabriel Ribeiro de Moura, também foram denunciados pelo MPDFT e responderão criminalmente. A Justiça deve decidir se aceita ou não a denúncia.

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O estudante Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, que foi picado por uma naja
O estudante Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, que foi picado por uma cobra naja no Distrito Federal
Foto: CNN (17.jul.2020)

Em 13 de agosto, Lehmkuhl foi indiciado pela Polícia Civil do Distrito Federal. Ele vai responder 23 vezes pelos crimes de tráfico, associação criminosa e maus-tratos – as ações correspondem a cada cobra criada ilegalmente encontrada com ele. 

Segundo a investigação, ele praticava os crimes desde 2017 e vendia os filhotes das cobras por cerca de R$ 500 em dinheiro vivo. Além dele, a mãe, o padrasto e outras nove pessoas, incluindo seis amigos e uma professora, foram indiciadas. 

A investigação concluiu que eles participavam de um grande esquema de tráfico de animais exóticos no Distrito Federal.

A Operação Snake ainda levou ao afastamento de uma servidora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A polícia suspeita que ela tenha facilitado a emissão de licenças de captura, coleta e transporte de animais. 

Na denúncia, consta que tendo em vista a existência de posse ilegal de 23 cobras, as penas podem chegar a 1 ano de prisão, mas pode ser multiplicada por 23, que aumentaria a pena, disse o promotor de Justiça de Defesa do meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPDFT, Paulo José Leite Farias.

"O que chamou a atenção nesse caso, foi que durante de um período de pandemia, estudantes de veterinária e familiares, colocaram em perigo moradores do condomínio e do DF. E, mais a crueldade com os animais, presos em caixas de plásticos, sujeitas as idas e vindas na tentativa de fugirem das ações penais", disse o promotor.

(Edição: Sinara Peixoto)