MP-RJ diz que policiais fraudaram local em que homem foi morto no Jacarezinho

De acordo com a denúncia, o cadáver da vítima foi removido antes de a perícia ser realizada e uma granada foi colocada na cena do crime

Leandro Resende

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Ao denunciar dois policiais civis por envolvimento no homicídio de Omar Pereira da Silva, um dos 28 mortos durante a ação realizada na comunidade do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, no dia 6 de maio, o Ministério Público do Rio de Janeiro afirma que a cena do local do crime foi alterada e uma pistola foi falsamente apresentada como sendo do homem morto.

Esta é a primeira denúncia apresentada pela força-tarefa criada pelo MP para investigar as mortes ocorridas na operação. Outros casos ainda estão sob análise dos promotores.

Os detalhes de como os policiais Douglas de Lucena Peixoto Siqueira e Anderson Silveira mataram Omar dentro do quarto de uma criança, no dia da mais letal operação policial da história do Rio de Janeiro, estão descritos ao longo de 19 páginas.

Segundo o MP, Douglas atirou em Omar quando este estava desarmado, baleado no pé e encurralado. Anderson Silveira cometeu fraude.

Fraude apurada

De acordo com a denúncia, o cadáver da vítima foi removido antes de a perícia ser realizada e uma granada foi colocada na cena do crime.

Na delegacia, os dois policiais apresentaram uma pistola e um carregador, “alegando falsamente que foram recolhidos junto da vítima, procedendo, deste modo, à obtenção de prova por meio manifestamente ilícito”.

O MP não pediu a prisão dos dois policiais, por entender que medidas cautelares como a proibição de contato com testemunhas e o afastamento de ambos dos cargos que ocupam na Polícia Civil seriam suficientes.

As medidas, segundo o MP, serviriam para ” prevenir o aliciamento ou intimidação de testemunhas e o estímulo a incursões no interior de residências familiares para executar criminosos ao invés de submetê-los ao Estado-Juiz”.

Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Civil informou que ainda investiga o caso.

“Os policiais foram denunciados em procedimento próprio do MP, antes de finalizada a investigação no inquérito policial. A Polícia Civil só irá se manifestar no mérito após análise de todos os depoimentos e a chegada dos laudos periciais”, diz trecho da nota.

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