MTST protesta em frente à sede da Enel em SP; 200 mil clientes da empresa continuam sem energia
Manifestantes exigem a restauração do serviço de energia e a responsabilização da concessionária pelos prejuízos causados à população do estado após fortes chuvas
O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) protesta nesta terça-feira (3) em frente à sede da Enel no bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo. Quatro dias após as fortes chuvas que atingiram o estado de São Paulo, cerca de 200 mil clientes da empresa continuam sem energia em suas casas.
Segundo o MTST, os manifestantes exigem a restauração do serviço de energia e a responsabilização da concessionária pelos prejuízos causados à população do estado. Ainda conforme o movimento, a manifestação reivindica um plano de ação eficiente para as temporadas de chuvas.
"Recebemos inúmeros denúncias de comunidades inteiras sem energia por mais de 50 horas. Inúmeras pessoas perderam o pouco que tinham para comer sem qualquer retorno da empresa pelos canais de comunicação", afirmou Débora Lima, coordenadora nacional do MTST.
"Exigimos a retomada imediata do serviço de energia, o ressarcimento e a responsabilização pelos danos causados. O que aconteceu em São Paulo nos últimos dias é um alerta sobre resultados nefastos das privatizações dos serviços básicos no estado de São Paulo. A Enel de hoje pode ser a Sabesp de amanhã", acrescentou a coordenadora.
Cerca de 200 mil clientes continuam sem luz 4 dias após chuva, diz Enel
Em nota divulgada nesta terça, a Enel afirmou que “até o momento, cerca de 1,9 milhão de clientes tiveram o serviço normalizado, de um total de cerca de 2,1 milhões afetados na última sexta-feira”.
Ainda de acordo com a Enel, “quase 3 mil profissionais nas ruas que seguem trabalhando 24 horas por dia para agilizar os atendimentos e normalizar o fornecimento para quase a totalidade dos clientes até esta terça-feira (07/11), conforme anunciado em reunião com o prefeito de São Paulo.”
Em entrevista à CNN no sábado (4), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) comparou os ventos que atingiram a cidade na sexta-feira à magnitude de um tornado e disse que o fenômeno pegou a todos de surpresa – motivo pelo qual muitos problemas ocorreram.
“Infelizmente, fomos surpreendidos com esse [vento] quase que um tornado, mas estamos buscando reestabelecer [a cidade] o quanto antes”, declarou Nunes.
“O que a gente teve ontem aqui foi um evento excepcional, onde a rajada de vento, em alguns locais, passou de 100 km/h. Desde 1995, nós não temos histórico de um vento dessa magnitude que pegou São Paulo”, completou Nunes.
Na ocasião, o prefeito negou que os problemas tenham sido motivados por falta de precaução, exemplificando que, até 30 de outubro, 10 mil árvores foram removidas e outras 150 mil foram podadas.
Nunes disse ainda que sua gestão está atenta às mudanças climáticas globais.
*Com informações de Marina Toledo, da CNN, em São Paulo


