“Não vou dizer que estou feliz”, diz presidente da Liesa sobre Carnaval adiado

Jorge Perlingeiro afirmou que 60 mil ingressos já foram vendidos para os desfiles no Sambódromo da Marquês de Sapucaí

Jorge Perlingeiro, presidente da Liesa, minimizou a variante Ômicron do coronavírus
Jorge Perlingeiro, presidente da Liesa, minimizou a variante Ômicron do coronavírus Pedro Duran/CNN

Pedro Duranda CNN

no Rio de Janeiro

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Há 37 anos na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) e há 1 ano no comando da organização, Jorge Perlingeiro deixou a reunião com o prefeito da cidade Eduardo Paes (PSD) triste, mas conformado. A decisão de adiar o Carnaval para o feriado de Tiradentes, em abril, foi tomada em conjunto entre autoridades de saúde do Rio e São Paulo e representantes das escolas.

“Não vou dizer que estou feliz. Seria muita incoerência da minha parte porque nós preparamos isso com muito carinho mas obviamente que ficaríamos felizes porque assim que chegar a hora vamos estar preparados. Estamos ganhando mais um tempo, mas o cronograma para fevereiro agora estava completo, nos esperávamos pelo desfile”, disse Perlingeiro à CNN.

A Liesa está organizando para a próxima segunda-feira (24) uma plenária com os presidentes das escolas do carnaval carioca para explicar os 90 dias de adiamento. O gerente de marketing da entidade, Gabriel David, no entanto, diz as agremiações já estavam avisadas da possibilidade. “As escolas entendem que é uma decisão prudente e sensata para realizar o melhor Carnaval possível”, afirmou.

O presidente da Liesa estimou à CNN que praticamente 60 mil ingressos já foram vendidos, o que inclui 60% da ocupação total das arquibancadas, todos os camarotes e frisas. Isso representa cerca de 80% do total dos 75 mil ingressos. Ele espera que o adiamento possa inclusive ajudar na captação de novos patrocinadores.

Perlingeiro minimizou a capacidade de mortalidade e agravamento da variante Ômicron do coronavírus, que motivou o adiamento, afirmando que se trata de algo equivalente a uma “gripe muito forte”.

O presidente da Liesa já havia adiantado ao analista de política da CNN Leandro Resende que não via nenhuma possibilidade de protocolos sugeridos pela prefeitura de São Paulo fossem usados no Rio. A lista de determinações incluía uso de máscara como parte da fantasia, público limitado e fim do quesito harmonia.

Depois do encontro com Paes ele sugeriu que em abril “a pandemia já vai ter acabado” e voltou a criticar as medidas que vigorariam em São Paulo no caso de manter a data dos desfiles para fevereiro.

“Desfilar de máscara é uma mutilação do espetáculo. Tirar quesito, diminuir 30% a 40%, capacidade nos não víamos essa possibilidade. Não tem o menor consentimento para gente aceitar uma coisa dessas”, disse.

Nas negociações com o poder público e na ponte com as escolas, Gabriel David tem tido tom mais moderado. “O adiamento está dentro de uma possibilidade de não alertar nada em alegorias e fantasias, as escolas já estão preparadas para isso como estavam em fevereiro, então tudo isso se mantém”, disse ele.

“[A nova data] possibilita para gente diversas ações que estavam comprometidas nesse pré-carnaval, como por exemplo os ensaios técnicos, o que facilita a comunicação pro Brasil e para o mundo dessa nova data do carnaval. Esse é o grande desafio: como a gente comunica em
massa essa nova data pra manter a movimentação turística que o carnaval sempre trouxe pra cidade”, completou David à CNN.

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