Negros representam 78% das pessoas mortas por armas de fogo no Brasil

Homens negros são os maiores atingidos representando 75% das vítimas, segundo estudo do Instituto Sou da Paz

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

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As mortes provocadas por armas de fogo aumentaram gradativamente no Brasil desde os anos 1990, sendo responsável por 70% dos homicídios nos anos 2000. A cor da pele evidencia o risco e aumenta a proporcionalidade de letalidade.

A população negra é a maior do país, representando 56% dos 212 milhões de habitantes, mas também é a mais vitimada. O estudo “Violência armada e racismo: o papel da arma de fogo na desigualdade racial”, do Instituto Sou da Paz, mostra que dos 30 mil assassinatos por agressão armada em 2019, 78% foram contra pessoas negras.

O levantamento realizado com base em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, ainda revela que os homens negros são os maiores atingidos, representando 75% do total, contra 19% de homens não negros. As mulheres negras representam 4% e as mulheres não negras 2%.

Deste total, os adolescentes e jovens negros, entre 15 e 29 anos, estão entre as pessoas mais vulneráveis à violência armada, somando 61% das mortes, contra 51% de não negros.

O número de óbitos entre crianças e adolescentes negras de 10 a 14 anos é duas vezes maior do que a de não negros, somando 61% e 31%, respectivamente.

Se a taxa de mortalidade for observada a cada 100 mil habitantes nesta faixa etária, a taxa de mortes entre negros é 3,6 vezes maior que entre não negros.

Escolaridade das vítimas

A baixa escolaridade é um dos fatores que mais evidenciam a letalidade por arma de fogo entre pessoas negras. Entre os adolescentes de 15 a 19 anos, 65% dos negros que foram vítimas, e 52% dos não negros, tinham até sete anos de vivência em sala de aula.

A mesma taxa de escolaridade foi registrada entre 59% dos negros mortos e 45% dos não negros entre os jovens na faixa de 20 a 29 anos.

Mortes por região

Na região Nordeste, a população negra foi quatro vezes mais vitimada por arma do que a população não negra em 2019. Entre 100 mil habitantes, 30,1% dos mortos eram negros e 7,9% não negros.

Na região Sudeste, a diferença é de 2,5 vezes, com 10,8% de mortes de negros contra 4,4% de não negros. Na região Norte é de 2,3 vezes, com 26,8% entre as mortes de negros e 11,5% entre as de não negros.

Já na região Centro-Oeste foi duas vezes maior, com 18,1% e 9,1% entre negros e não negros assassinados, respectivamente. A única região em que há equivalência no número de mortes é a Sul, com 10,5% de negros e 10,4% de não negros.

No Brasil, por sua vez, a incidência da morte de negros foi de 20,3% contra 7% de não negros.

Locais de ocorrência das mortes

Os espaços públicos como ruas e estradas são os principais locais de ocorrência das mortes por arma de fogo da população negra, com 54% em 2019, depois do pico de 57% em 2018, contra 48% e 50% de pessoas não negras, respectivamente.

As mortes de negros em locais não identificados ficam em segundo lugar, com 23% em 2019, com picos de 29% em 2013 e 2014. A população não negra teve 21% dos locais que não foram identificados, com pico de 35% em 2012.

Já em residências, a população não negra teve maior porcentagem de morte em 2019, com 16%, contra 11% da população negra.

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