No mercado musical, 89% dos trabalhadores perderam renda no país em 2021

Pesquisa aponta que metade da mão de obra do setor perdeu integralmente a renda; serviço de streaming tenta reverter cenário

Mercado musical enfrenta dificuldades geradas pela pandemia
Mercado musical enfrenta dificuldades geradas pela pandemia Oscar Keys/Unsplash

Rafaella Balieiroda CNN*

no Rio de Janeiro

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Com a suspensão de eventos e shows, 89% dos trabalhadores do setor, incluindo músicos e produtores, tiveram a renda ainda mais reduzida em 2021, em relação ao primeiro ano da pandemia. Metade dos entrevistados afirmaram perder integralmente os faturamentos.

Os dados são da pesquisa “Músicos/as & Pandemia”, elaborada pela União Brasileira de Compositores (UBC), em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

A medida de suspensão foi adotada como reação de governos estaduais e de prefeituras, para tentar conter o avanço da variante Ômicron. Essa nova linhagem do coronavírus, considerada de preocupação pela Organização Mundial de Saúde (OMS), já é prevalente no país.

A proibição de shows e festas não afetou apenas os músicos e artistas. Segundo o levantamento, 33% das empresas do setor precisaram reduzir os salários dos colaboradores.

Em abril de 2021, o Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, publicado no Diário Oficial da União, permitiu que empresas reduzissem proporcionalmente a jornada de trabalho e a remuneração, uma alternativa para evitar o aumento do desemprego.

Ainda assim, o mercado da música viu a demissão em massa chegar. Seis em cada dez empresas consultadas admitiram precisar reduzir o quadro de funcionários para não fechar as portas durante o período de isolamento.

Para tentar amenizar os danos para 2022, a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) divulgou uma carta, na qual se posiciona contrariamente aos cancelamentos de eventos no país.

“No pouco tempo que tivemos para a retomada do calendário fizemos a roda da economia voltar a girar, recompomos equipes e criamos novos postos de trabalho. E pasmem! Atestamos o que vínhamos bradando há meses sem descanso: Não tivemos aumento de casos por conta dos eventos corporativos”, afirma a entidade.

Para reduzir os impactos, o mercado musical aposta na oferta de serviços digitais. A rentabilidade com os produtos de streaming cresceu 36,6% no acumulado de 12 meses e movimentou R$252 milhões em 2021. Nos últimos cinco anos, o crescimento das vendas nessas plataformas ultrapassou os 945%.

Superintendente executiva do Escritório de Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), Isabel Amorim explica o caminho trilhado pelo segmento:

A gestão coletiva da música vem lutando pelos direitos autorais no streaming. Queremos que as questões relacionadas aos direitos autorais e valores destinados aos compositores e à classe artística possam avançar na mesma velocidade do anúncio diário de títulos de filmes, séries, álbuns e singles nos catálogos de streaming de áudio e vídeo. Seguiremos firmes nessa luta.

Ao todo, 600 profissionais e 37 empresas foram abordados na pesquisa que englobou todos os estados do Brasil. O Rio de Janeiro lidera o cenário nacional com maior número de trabalhadores envolvidos no mercado musical: 26%. O número é superior à soma de outros 20 estados somados que, juntos, totalizam 19% de profissionais no mercado.

Público inseguro

Ainda que haja o retorno dos eventos presenciais, 76,6% do público ainda não se sente seguro para marcar presença nas festas. Os dados divulgados pelo Instituto Reclame Aqui mostraram que a maioria dos brasileiros só pretende retornar aos shows após o fim da pandemia de Covid-19.

Os dados mostram ainda que 25,9% dos brasileiros que foram a eventos durante a pandemia o fizeram para assistir shows de sua banda favorita. Com relação ao local, 70% optou por espaços ao ar livre, uma das recomendações de especialistas para o período.

Quando o assunto é segurança, contudo, 54,2% das pessoas que foram a eventos no país disseram nem lembrar no momento da festa que o país enfrenta uma pandemia.

*Sob supervisão de Stéfano Salles

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