Crise climática já é sentida por 9 em cada 10 moradores da Amazônia Legal

Pesquisa ouviu mais de 4 mil pessoas e revela que os impactos do aquecimento global já fazem parte da rotina de quem vive na região

Tayana Narcisa, da CNN Brasil
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As mudanças climáticas já são sentidas por grande parte da população amazônica. Um estudo divulgado nesta quarta-feira (8) mostra que 9 em cada 10 moradores da Amazônia Legal acreditam que o aquecimento global está em curso (90,6%) e que o Brasil e o mundo enfrentam transformações no clima (88,4%).

A pesquisa “Mais Dados Mais Saúde – Clima e Saúde na Amazônia Legal” ouviu 4.037 pessoas entre maio e julho de 2025 nos nove estados da região. O estudo foi realizado pela Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive, e mostra que um terço da população (32%) afirma já ter sido diretamente afetado pelas mudanças do clima.

“Enfrentar a crise climática na Amazônia é mais do que uma agenda ambiental — é uma questão de saúde pública e de redução de desigualdades”, afirma Thais Junqueira, superintendente-geral da Umane.

Entre os principais impactos citados estão:

  • aumento da conta de energia elétrica (83,4%);
  • da temperatura média (82,4%);
  • da poluição do ar (75%);
  • de desastres ambientais (74,4%)
  • e dos preços dos alimentos (73%)
  • além disso, quase 65% disseram ter vivenciado ondas de calor acima da média nos últimos dois anos.

Segundo Luciana Vasconcelos Sardinha, diretora adjunta da Vital Strategies, as porcentagens revelam um impacto expressivo: “Esses números representam milhões de pessoas que já enfrentam dificuldades no acesso a itens básicos e qualidade de vida.”

Os povos e comunidades tradicionais aparecem como os mais vulneráveis: 24,1% relataram piora na qualidade da água e 21,4% apontaram problemas na produção de alimentos índices maiores que os da população em geral.

“Esses grupos estão mais expostos aos efeitos das mudanças climáticas e mais conscientes de suas consequências, porque as vivenciam diretamente em seus territórios”, destaca Sardinha.

A pesquisa também revelou mudanças de comportamento: 53% dos entrevistados reduziram práticas que consideram prejudiciais ao clima e 64% separam o lixo para reciclagem, número ainda maior entre povos tradicionais (70%).

A pesquisa está disponível no Observatório da Saúde Pública e o levantamento reforça a urgência de políticas voltadas à adaptação climática, especialmente às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA) no mês de novembro.