
Especialista explica impacto das ausências de líderes na COP30 em Belém
À CNN, Cláudio Angelo aponta desafios do país como anfitrião da COP30: sucesso na redução de 50% do desmatamento contrasta com planos de expansão da produção petroleira
A cúpula de chefes de Estado que antecede a COP30, em Belém, inicia-se em um contexto de tensões geopolíticas e desafios climáticos significativos. Com 57 líderes mundiais reunidos, o encontro busca estabelecer diretrizes para as negociações que começarão na próxima semana, em um momento crucial para as ações climáticas globais.
Em entrevista à CNN, Cláudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, explica o impacto de ausências de algumas autoridades internacionais, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O cenário atual apresenta obstáculos significativos, incluindo a insuficiência das metas estabelecidas para limitar o aquecimento global em 1,5°C, conforme preconiza o Acordo de Paris. "Além disso, países em desenvolvimento expressam insatisfação com o financiamento climático, considerado inadequado para enfrentar os desafios propostos", explica o especialista.
O papel do Brasil nas negociações
O Brasil chega à conferência com resultados mistos em suas políticas ambientais. "Por um lado, o país registrou uma redução de 22% nas emissões líquidas de gases de efeito estufa em 2024, um resultado sem precedentes globalmente. Nos últimos três anos, conseguiu diminuir o desmatamento em 50%, demonstrando avanços significativos em suas políticas ambientais" afirma Cláudio.
Contudo, o país enfrenta contradições em sua política energética. O recente licenciamento para exploração de postos na Bacia da Foz do Amazonas e os planos de elevar o Brasil da oitava para a quarta posição entre os maiores produtores mundiais de petróleo até 2030 contrastam com os objetivos climáticos globais.
Desafios para a transição energética
A implementação da decisão tomada em Dubai em 2023, que prevê uma transição justa, ordenada e equitativa para abandonar os combustíveis fósseis, emerge como ponto crucial das discussões. "A definição de critérios claros para essa transição e o estabelecimento de um calendário consensual para a redução do uso de combustíveis fósseis são desafios importantes a serem enfrentados", conclui o especialista.
As consequências da inação climática já se manifestam em eventos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul, a seca generalizada e os incêndios recordes na Amazônia em 2024. Estes eventos reforçam a urgência de medidas efetivas para combater as mudanças climáticas.


