O Grande Debate: fala de Bolsonaro foi à altura da crise?

A economista Renata Barreto e o advogado Thiago Anastácio debatem sobre a mudança de tom usado pelo presidente durante fala em cadeia de TV

Da CNN

em São Paulo

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Mesmo com o tom mais brando do que no pronunciamento da semana anterior, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a se destacar por uma polêmica, no pronunciamento em rede nacional na terça-feira (31). O presidente usou uma fala, descontextualizada, do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre impactos da pandemia no mercado de trabalho. O pronunciamento foi acompanhado por panelaços em várias cidades do país.

Na manhã de terça-feira(31), ele já havia distorcido a fala de Tedros Ghebreyesus a apoiadores na porta do Palácio do Planalto, dizendo que o diretor havia recomendado que as pessoas voltem ao trabalho. “O que ele disse? Praticamente que, em especial, os informais têm que trabalhar”, declarou o presidente.

O presidente chegou a ser aconselhado por pessoas próximas a adiar o pronunciamento, conforme apurou Daniel Adjuto, âncora da CNN. A ideia era de que o texto fosse construído com auxiliares e não coincidisse com o 31 de março, data do golpe militar que levou a 21 anos de ditadura militar no Brasil (1964-1985).

No Grande Debate desta quarta-feira (1º), a economista Renata Barreto e o advogado Thiago Anastácio discutem a mudança de discurso do presidente da República e o impacto das falas entre autoridades no Congresso Nacional. 

Em suas considerações iniciais, o advogado Thiago Anastácio avaliou as postura de Bolsonaro e chamou de ‘louvável’ a mudança de tom. “Evidentemente, as forcas politicas conseguiram convencer o presidente Jair Bolsonaro a colocar a cabeça no lugar. Não sei se foi dentro de uma consciência, se ele chegou a essa conclusão ou se ele corria riscos judiciais e políticos neste momento de grande instabilidade a partir de todos os pronunciamentos que ele fez antes”, afirma.

“O que era uma ‘gripezinha’ virou um grande embate da nossa geração. A cloroquina, a substância que era o salvador de vidas, ontem se disse que de fato é um medicamento experimental. Deve ser louvado o que o presidente fez ontem. Ele mudou o tom. No dia anterior, Donald Trump já tinha afirmado que caso americano era gravíssimo e também mudou o discurso. E foi seguido por esse que é um seguidor de Trump, que é Bolsonaro”, argumentou.

A economista Renata Barreto iniciou elogiando a postura do presidente, que, para ela, agora está falando como chefe de Estado. ” Eu fiquei muito feliz e aliviada que o pronunciamento do presidente mudou de tom. E isso foi muito positivo porque mostra que ele ouviu as críticas construtivas por parte dos seus apoiadores e até mesmo de quem não o apoia. Mas eu acho importante pontuar que esse discurso, apesar de tardiamente feito, consegue apaziguar os ânimos, unir a nação e ele, finalmente, se dirigiu aos profissionais da saúde”, relembra.

“Achei bastante positivo, apesar de ter criticado, previamente, o posicionamento dele, que tinha sido, de certa forma, desastrado. Agora ele está falando como chefe de Estado. Então isso me deixa bastante feliz”, finaliza. 

Assita à integra do Grande Debate desta quarta-feira (1º).

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