ONG Ação da Cidadania lança campanha Brasil Sem Fome em todo o país

A segunda edição da campanha tem o objetivo de arrecadar mais de 20 mil toneladas de alimentos

Até outubro, a expectativa da ONG é que sejam arrecadadas mais de 20 mil toneladas de alimentos
Até outubro, a expectativa da ONG é que sejam arrecadadas mais de 20 mil toneladas de alimentos Alexander Schimmeck/ Unsplash

Isabelle ResendeThayana Araújoda CNN

no Rio de janeiro

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A ONG Ação da Cidadania deu início à segunda edição da campanha Brasil Sem Fome. Até outubro, a expectativa é que sejam arrecadadas mais de 20 mil toneladas de alimentos, que serão distribuídos para mais de oito milhões de pessoas em todo país.

Este ano, o destaque da campanha é protagonismo feminino no combate à fome no território nacional. O objetivo é valorizar a força e a dedicação das mulheres que estão na linha de frente de mais da metade de lares brasileiros.

Dados da ONG apontam que as mulheres são as maiores responsáveis pela causa no país. De acordo com a Ação Cidadania, que atua desde 1993, figuras femininas sempre foram maioria no voluntariado.

Os dois mil voluntários à frente do projeto já estão recolhendo as doações, que podem ser feitas tanto pelo site da entidade como pela chave PIX da entidade.

A organização chama a atenção ainda para o fato de que as mulheres foram as mais prejudicadas com a pandemia da Covid-19 no Brasil. De acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mais de 7,5 milhões de mulheres perderam o emprego desde o início da pandemia.

“As mulheres são as principais apoiadoras dos nossos projetos e a grande maioria das doações de pessoas físicas chegam através delas. Ao mesmo tempo, são as mulheres as que mais sofrem com a fome, com um recorte muito claro de mães pretas e pardas, vítimas do preconceito e desigualdade latentes da nossa sociedade.

Esse ano a Ação da Cidadania vai exaltar essas chefes de família que vivem na luta para que não falte alimento na mesa das suas famílias ou de outras. A campanha é delas e por elas”, destaca Rodrigo “Kiko” Afonso, diretor-executivo da Ação da Cidadania.

No nono país mais desigual do mundo, em que 116 milhões de pessoas convivem com algum grau de insegurança alimentar, segundo a Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), o Nordeste concentra o maior percentual de mulheres chefes dos lares (57,5%), a maioria pretas e pardas, sem escolaridade e com empregos informais.

Os dados da pesquisa também revelam que somente 35,9% das mães solos em todo o país conseguem garantir alimentação dentro de casa. Se ela for negra, esse índice cai para 10%.

A desnutrição infantil também é uma preocupação para essas mães. De acordo com dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani-2019), 14,2% das crianças brasileiras com até 5 anos vivem com deficiência de alguma vitamina ou mineral.

A região Norte concentra a maior parte, com 28,5% dos pequenos ingerindo menos proteínas do que o recomendado. O panorama é o mesmo entre as crianças indígenas.

O relatório nacional de Violência contra Povos Indígenas de 2020 aponta que algumas das 776 mortes entre os menores de cinco anos residentes nessas comunidades se deram, em parte, por causa da desnutrição. A boa alimentação na primeira infância é crucial para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.

De acordo com dados da rede Penssan, 63 milhões de pessoas vivem com menos de R$ 455 por mês e 20 milhões de pessoas com menos de R$ 157 reais por mês, considerado na pobreza extrema.

A entrega de cestas básicas para famílias lideradas por mulheres é uma das prioridades da Ação da Cidadania já a partir desse mês. As doações podem ser feitas através do site ou pelo PIX brasilsemfome@acaodacidadania.org.br.

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