Pesquisa: Maioria dos estudantes teve problemas no acesso à internet durante aulas remotas

Dados são de levantamento da startup Descomplica, divulgado nesta quinta-feira (21), que ouviu 800 pais e responsáveis de estudantes no último mês

Daniel Corráda CNN

Em São Paulo

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O que deveria ser apenas solução, também se tornou obstáculo para estudantes brasileiros durante a pandemia. As dificuldades no acesso à internet ou até mesmo a falta do recurso aparecem como as maiores barreiras para as aulas remotas, segundo uma pesquisa da startup de educação Descomplica e do Instituto Locomotiva.

O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (21) e ouviu 800 pais e responsáveis de estudantes dos ensino Fundamental e Médio no país. Do total, 80% das famílias relataram problemas de infraestrutura (problemas ou falta de internet/equipamentos e dificuldades com plataformas). Outros 54% esbarraram em barreiras socioemocionais e 16% enfrentaram questões de letramento digital.

Ao todo, 1/3 das famílias também disseram que os filhos não têm equipamentos e cômodos exclusivos para estudar durante a pandemia. Metade dos alunos (49%) das classes D e E acompanharam as aulas em equipamentos compartilhados com outros membros da família. O percentual despenca para 23%, quando observados os estudantes mais ricos (classes A e B).

“A gente tem que lembrar que foi uma fase de sobrevivência para muitas famílias, que o celular era usado, às vezes, para algum tipo de atividade econômica e era compartilhado pela criança para assistir a aula. Da mesma maneira, o espaço da casa era compartilhado”, afirma a diretora de pesquisa da Descomplica, Roberta Campos.

Dentro de toda essa realidade, o WhatsApp foi o principal canal de interação dos estudantes com professores e colegas durante a crise sanitária. De forma geral, a pesquisa também constatou que o apoio das famílias foi fundamental para crianças e adolescentes que conseguiram manter os estudos.

“Houve um enorme esforço das escolas e dos professores para, em pouquíssimo tempo, transferirem as atividades para um território novo, que é o território digital. Isso também foi possível graças a um esforço enorme das famílias”, analisa Roberta.

Educação na pandemia

No Brasil, a maioria dos estados e municípios interromperam as aulas presenciais entre março e abril de 2020. Por meses, escolas públicas e privadas disponibilizaram apenas o ensino remoto, por TV e internet, para os estudantes. Com o avanço da vacinação, as instituições de ensino iniciaram nos últimos meses o retorno gradual e (de forma obrigatória) das atividades presenciais.

“As famílias estavam fazendo o que podiam, mas desejam voltar [para as escolas]. Esse esforço de voltar às aulas presenciais, vai muito de encontro ao que as famílias estão precisando nesse momento e isso ficou muito claro nos nossos dados”, conclui Roberta Campos.

Entrevista na TV produzido por Álvaro Gadelha (supervisionado por Layane Serrano)

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