Pessimismo com guerra na Ucrânia volta a rondar mercados; IGP-M é destaque no Brasil

Pentágono alertou que a movimentação das tropas russas não significa uma retirada

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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Os mercados globais operam nesta quarta-feira (30) de olho na guerra na Ucrânia e com temores de recessão na Europa. No Brasil, o IGP-M de março é destaque.

Começando pelo exterior, os futuros americanos caem com falta de avanço na tentativa de cessar-fogo no Leste Europeu. Ontem as bolsas chegaram a subir depois que a Rússia disse que o país reduzirá “drasticamente” a atividade militar perto de Kiev.

Mas hoje, o pessimismo volta a rondar os mercados com o Pentágono alertando que a movimentação das tropas russas não significa uma retirada.

Membros do banco central americano, o Fed, continuam a fazer discursos mais duros, que apontam para mais alta dos juros nos Estados Unidos.

Ontem foi a vez do Fed da Filadélfia, que disse que a inflação é inaceitável e defendeu alta de juros a 4% este ano.

Na Europa, as bolsas caem. Com a Rússia definindo que a venda de gás em rublo a países chamados hostis a Alemanha começa a sugerir racionamento à sua população. A Grécia também se reúne hoje para discutir o assunto.

A situação tem derrubado índices de confiança no continente e a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse que a Europa passa um momento difícil.

A casa de análise Ohm Research avalia que, se um acordo não acontecer logo, vai ser cada vez mais difícil evitar uma recessão na Europa, e diz que haverá efeitos na economia global e efeitos dramáticos nos alimentos.

Na Ásia, as bolsas fecharam no positivo refletindo as altas em Nova York ontem. Ações techs caíram na China, com notícias de que o governo estuda regulações ao setor de streaming.

No Brasil, a bolsa subiu e passou dos 120 mil pontos ontem puxada pela alta da Petrobras e pelo fluxo de investidores globais com a redução da aversão ao risco.

Analistas de mercado avaliaram que a indicação de Adriano Pires para a Petrobras alivia o temor sobre mudança na política de preços da empresa, por ser um nome mais técnico e menos político.

O dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) acima do esperado também ajudou a animar os investidores.

Na política, servidores do Tesouro anunciam paralisação de atividades nas próximas sexta e terça-feira, quando deve ser votada a possibilidade de uma greve por tempo indeterminado a partir de 1º de abril.

Índices

O Ibovespa futuro tinha alta de 0,35% de manhã, aos 120.830 pontos. O dólar caía 0,36%, cotado em R$ 4,76. Já o S&P futuro caía 0,51%.

Agenda do Dia

O IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) foi divulgado nesta manhã. A inflação do aluguel ficou em 1,74% em março, acima da expectativa do mercado, de 1,37%. Em 12 meses, o índice acumula alta de 14,77%.

Também saiu confiança do comércio, que caiu 0,2 ponto, pra 86,8 pontos. A FGV (Fundação Getúlio Vargas) disse que o patamar da confiança continua baixo e ainda não é possível imaginar uma recuperação mais consistente nos próximos meses.

O índice de confiança de serviços subiu 3 pontos em março, interrompendo 4 meses de queda.

Às 10h30 tem dados de contas públicas do governo e às 14h30 fluxo cambial. Os balanços seguem com resultados de empresas do varejo e tecnologia, como Mobly, Restoque e Saraiva.

Nos Estados Unidos foi divulgada a pesquisa da ADP, que apontou a criação de 450.000 vagas de emprego criadas em março. Pela manhã, saiu o PIB do quarto trimestre, que ficou em 6,9%, abaixo da projeção do mercado de 7,1% na comparação anual em termos anualizados.

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