Poderemos ver números absurdos de mortos no AM, diz representante de enfermeiros

Estado vive colapso na saúde em decorrência do avanço da pandemia do novo coronavírus

da CNN, em São Paulo

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Em meio ao colapso na saúde do Amazonas em decorrência do avanço da pandemia do novo coronavírus, Sandro André, presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do estado, pediu, em entrevista à CNN nesta quinta-feira (14), que autoridades deem condições dignas para que profissionais da saúde consigam salvar vidas.

Caso contrário, se medidas não forem tomadas, “iremos ver números absurdos de mortos”, afirmou ele.

“Estamos vivendo um cenário caótico, crítico e de guerra no estado do Amazonas, na capital Manaus e agora também nos interiores. Os hospitais não estão lotados, estão superlotados, porque todos já passaram de sua capacidade de atendimento, tanto os hospitais públicos quanto os privados. Então, os nossos profissionais de enfermagem estão sobrecarregados”, conta.

André também ressalta a falta de oxigênio, pois chegou ao fim a reserva dos cilindros no estado. “Nós precisamos que as autoridades que podem ajudar se manifestem de maneira ativa. Agora não precisamos de palavras, aplausos, precisamos de condições dignas para salvar vidas. Precisamos de oxigênio”, afirmou à CNN.

Além da ajuda da iniciativa privada, o presidente do conselho pede para que os governantes acionem as Forças Armadas para se envolverem e auxiliarem no que o estado precisa. “Vocês irão ver algo nunca visto no Brasil se medidas imediatas não forem tomadas agora. Nós iremos ver números absurdos de mortos, algo nunca presenciado.”

Sem oxigênio

A empresa responsável pelo fornecimento de oxigênio aos hospitais públicos do Amazonas diz que não conseguiu suprir a demanda em razão da dificuldade na logística e no aumento do número de pacientes internados.

Nesta quinta-feira (14), o governo estadual anunciou que entrará na Justiça contra a empresa para obrigá-la a fornecer oxigênio para o estado.

O Ministério da Saúde fez uma parceria com o Sírio Libanês, que realizou um mapeamento para o governo poder medir as ações e otimizar as demandas de oxigênio no Amazonas.

Novas medidas de restrições

A alta nos números de casos do novo coronavírus fez o governador endurecer as restrições no estado. Entre as medidas anunciadas estão a suspensão do transporte coletivo de passageiros entre rodovias e rios (exceto cargas) e a proibição de circulação de pessoas entre 19h e 6h (exceto atividades e transporte de produtos essenciais).

(Publicado por Daniel Fernandes)

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