Polícia indicia e pede prisão preventiva de Saul Klein por crimes sexuais

Outras nove pessoas também tiveram detenção solicitada; delitos continuam acontecendo nas cidades de Boituva e Barueri, segundo a Polícia Civil

Douglas PortoBárbara Brambilada CNN

em São Paulo

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O empresário Saul Klein, de 68 anos, filho do fundador das Casas Bahia, Samuel Klein, foi indiciado, nesta quinta-feira (28), pela Policia Civil de São Paulo, por oito crimes sexuais.

A delegada-titular de Defesa da Mulher de Barueri, Priscila Camargo Campos Gonçalves, e o delegado-assistente Leonardo Rocha Vieira, responsáveis pelas investigações, pediram em um inquérito de 90 páginas a prisão preventiva do empresário e mais nove pessoas.

Veja os crimes:

  • Organização criminosa: por integrar e financiar a organização criminosa na posição de comando – Klein e outras 12 pessoas investigadas;
  • Redução análoga à escravidão: submeter pessoa à jornada exaustiva de trabalho – Klein e outras 4 pessoas investigadas;
  • Tráfico de pessoas: aliciar e transportar mulheres para fins de exploração sexual e/ou redução à condição análoga de escravo – Klein e outras 9 pessoas investigadas;
  • Estupro: praticar com violência física ou sexual atos de conjução carnal ou libidinoso diversos – Klein e outras quatro pessoas investigadas;
  • Estupro de vulnerável: praticar atos de conjunção carnal ou libidinosos diversos com vítimas impossibilitadas de oferecer residência – Klein e outras 2 pessoas investigadas;
  • Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável: dificultar ou impedir a prostituição de adolescente – Klein e mais 2 pessoas investigadas;
  • Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual: dificultar ou impedir a prostituição – Klein e outras 3 pessoas investigadas;
  • Casa de prostituição: manter estabelecimento próprio em que ocorria exploração sexual – Klein e mais 1 pessoa investigada;
  • Falsificação de documento público: falsificar em parte documento público – 2 pessoas investigadas;

Foram ouvidas 20 vítimas. Uma delas foi apontada diversas vezes como integrante da organização por várias mulheres e teve sua prisão requerida.

Elas relataram que foram contratadas para realizar presenças vip, atuarem como modelos ou panfletadoras. Mas, de acordo com a polícia, eram segregadas em imóveis de Klein e submetidas a manter relações sexuais com ele.

“Às vezes de forma não desejada e mediante violências físicas ou psicológicas feitas pelos coautores e demais integrantes da organização, às vezes após intenso uso de bebidas alcoólicas e/ou remédios”, aponta o inquérito.

A remuneração das vítimas era em média de R$ 1 mil até R$ 3 mil por fim de semana. Outras vantagens eram oferecidas diretamente ou indiretamente, caso elas desejassem sair do falso emprego.

A organização criminosa funcionava em quatro núcleos que eram subordinados a Klein, sendo eles:

  1. Aliciamento e seleção; 
  2. Falsificação de documentos;
  3. Segurança e logística interna, interestadual e administrativa;
  4. Médico.

Segundo a polícia, os crimes praticados sob o comando do empresário “restaram demonstrados pelos diversos depoimentos de inúmeras vítimas que relataram, com detalhes, os meios e modos de operação da empreitada ilícita, bem como pelas diligências em campo realizadas pela polícia judiciária e declarações de alguns envolvidos nas atividades.”

Em nota (leia íntegra abaixo) enviada à CNN, Saul Klein “reafirma que nunca cometeu crime algum” e declara que o indicamento “reafirma que nunca cometeu crime algum”.

“Saul e sua Defesa Técnica respeitam o posicionamento da Delegada Titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Barueri mas entendem que a análise atenta e isenta dos elementos colhidos na investigação levará o Ministério Público e o Judiciário a concluírem por sua inocência”, escreve a defesa do empresário.

A ViaVarejo, dona das Casas Bahia, também se manifestou em nota e afirmou que Saul vendeu sua parte societária em 2009 e que “nunca possuiu qualquer vínculo ou relacionamento com a Companhia”, já que a Via assumiu a gestão das lojas em 2010.

Sobre os indícios de autoria, as condutas narradas continuam acontecendo em imóveis de Klein, com sua presença e de vítimas, nas cidades de Boituva, no interior paulista, e em Alphaville, na cidade de Barueri, na Região Metropolitana. Junto, estariam duas pessoas, uma responsável pelo aliciamento e outro pelo atendimento médico. As residências são “de difícil acesso e cercadas por seguranças armados.”

“Imóveis estes cercados de muros altos, portaria, câmeras de vigilância e todo um aparato de segurança que impede a visualização interna e, ao mesmo tempo, obsta que as mulheres que estão dentro do SPA [Boituva] e na mansão [Alphaville] possam livremente circular e sair destes locais quando desejarem”, relatam os delegados.

“Todavia, alguns indícios apontam a continuidade das condutas descritas acima, notadamente a entrada e saída frenética de pessoas dos referidos imóveis, às centenas, inclusive médicos, o que pode indicar, dentro do quadro probatório, a permanência da empresa criminosa”, continuam.

As autoridades também justificam o pedido de prisão preventiva por esses fatores relatados e para evitar que Klein continue a exercer uma posição de comando sobre seus funcionários de confiança.

Nota da defesa de Saul Klein

“Saul Klein reafirma que nunca cometeu crime algum. O indiciamento divulgado hoje é um ato discricionário da Autoridade Policial que não vincula os demais atores processuais.

Saul e sua Defesa Técnica respeitam o posicionamento da Delegada Titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Barueri mas entendem que a análise atenta e isenta dos elementos colhidos na investigação levará o Ministério Público e o Judiciário a concluírem por sua inocência.

Atenciosamente,
André Boiani e Azevedo”

Nota da ViaVarejo

“O empresário Saul Klein é filho de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia. A Via, atual proprietária das CasasBahia, informou que Saul Klein nunca possuiu qualquer vínculo ou relacionamento com a Companhia. Saul vendeu sua parte societária em 2009. A  Via assumiu a gestão da rede de lojas em 2010.

A Companhia informou ainda que é uma corporação sem acionista controlador ou bloco de controle definido.”

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