Predador e venenoso, peixe-leão é encontrado em águas rasas do Ceará e Piauí

Para capturar presas, eles as encurralam com espinhos que, segundo especialistas, podem ferir também banhistas

peixes-leão são predadores vorazes e ameaçam 29 espécies de peixes brasileiros
peixes-leão são predadores vorazes e ameaçam 29 espécies de peixes brasileiros Tommaso Giarrizzo

Carolina Ferrazda CNN

em São Paulo

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Nove indivíduos do peixe-leão, espécie predadora de outras e perigosa também para banhistas, foram capturados pela primeira vez no litoral do Ceará e do Piauí, informou o Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará.

Os peixes-leão são predadores vorazes e ameaçam 29 espécies de peixes brasileiros. Nativos da região Indo-Pacífica, eles vivem próximos a recifes de coral, tendem a viver até 15 anos e podem pesar por volta de 200g. Para capturar presas, eles as encurralam com espinhos que, segundo especialistas, podem ferir também banhistas.

Esta é a quarta captura do peixe-leão no Brasil, sendo também a que indicou a maior concentração da espécie: sete indivíduos foram encontrados no mar de Acaraú (CE), Cruz (CE) e no Parque Nacional de Jericoacoara (CE), e um no município de Camocim (CE).

As capturas aconteceram durante uma expedição realizada entre os dias 12 e 14 de março, sob a liderança do professor e pesquisador do Labomar, Marcelo Soares, e pela coordenação de campo do pesquisador Tommaso Giarrizzo, professor visitante do Labomar. A busca teve apoio de pescadores de Camocim, Vila de Barrinha, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) e de 20 pesquisadores.

Capturas aconteceram durante uma expedição realizada entre os dias 12 e 14 de março, sob a liderança do professor e pesquisador do Labomar, Marcelo Soares/ Tommaso Giarrizzo

Segundo Soares, o peixe-leão é uma ameaça aos peixes invertebrados e marinhos porque, como ele não tem predadores, acaba por predar e se alimentar de pequenas espécies como o camarão.

“Isso é um risco muito grande porque a fauna brasileira de peixes recifais e de alguns invertebrados marinhos só existem na nossa região, e isso aumenta muito o risco de extinção”, disse o pesquisador.

O professor orientou que, caso alguém aviste o peixe, envie os dados através do Sistema Integrado do Manejo de Fauna (Simaf) e do Ibama ou entre em contato com o Programa Cientista-Chefe da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) do Ceará através do e-mail cientistachefesema@gmail.com.

*Sob orientação de Bárbara Brambila

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