Prefeito de BH adia volta às aulas presenciais; especialistas criticam decisão

Volta às escolas para crianças de 5 a 11 anos foi adiada em uma semana, para 14 de fevereiro

Giulia AlecrimTiago TortellaLudmila Candalda CNN

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A volta às aulas presenciais em Belo Horizonte para crianças de 5 a 11 anos foi adiada para o dia 14 de fevereiro. A decisão foi criticada por especialistas ouvidos pela CNN.

O anúncio foi feito pelo prefeito da cidade, Alexandre Kalil, nesta quarta-feira (26). As atividades escolares para alunos acima de 12 anos e menores de 4 anos estão autorizadas na capital mineira.

“Foi determinado pela secretária de Educação, professora Angela, pelo Comitê, pela Secretaria de Saúde e pelo prefeito que as aulas para crianças de 5 a 11 anos vão se iniciar no dia 14 de fevereiro, porque temos que dar a chance… Nós temos o dever de dar a proteção às crianças”, disse o prefeito, referindo-se à vacinação.

A vacinação deste grupo em Belo Horizonte começou no dia 15 de janeiro.

O prefeito também afirmou que, com a saturação do sistema estadual, foram abertos quatro leitos de enfermaria pediátrica e dez de UTI Covid para crianças nesta quarta-feira (26). Na quinta (27), serão abertos mais 35 leitos de enfermaria para crianças.

Kalil disse que a variante Ômicron tem atingido as crianças e pediu aos pais que vacinem os filhos contra o vírus.

Quanto aos leitos para adultos, foram abertas 12 UTIs e 71 vagas em enfermarias.

Desde o início do mês de janeiro foram abertos pela prefeitura 429 leitos de Enfermaria Covid adulto, 4 pediátricos, 44 leitos de UTI Covid adulto e outros 20 pediátricos.

Especialistas criticam adiamento do retorno às aulas presenciais

A decisão de adiar as aulas presenciais foi criticada por especialistas ouvidos pela CNN.

“O momento é complicado, com aumento de casos. Mas adiar a abertura de escolas ou deixar de abrir escolas, diz a Unicef, pode ser mais um problema grave para nossas crianças e adolescentes”, diz Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

“Os países europeus, que estão na nossa frente na onda Ômicron, não fecharam as escolas. É importante que os pais entendam que, nesse momento, não se pode negligenciar os sintomas. A escola é segura porque tem protocolos, com uso de máscaras e distanciamento, além da vacinação”, ela completou.

A especialista CNN em Educação, Cláudia Costin, disse que, do ponto de vista pedagógico, quanto antes as crianças voltarem às escolas, melhor será para o aprendizado. Além disso, é necessário que seja feito um sistema de resgate das aprendizagens perdidas durante a pandemia.

“Essas perdas não são só de aprendizagem, há também um problema sério de saúde mental de crianças, com problemas de ansiedade e de depressão. Há uma retomada crescente do trabalho infantil e isso não pode ser desconsiderado. Quanto antes voltarmos às aulas, do ponto de vista pedagógico, o melhor será pra essas crianças”, disse.

O doutor Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), entende que as restrições devem ser adotadas analisando a transmissibilidade do vírus no momento, e não exclusivamente pela taxa de vacinação.

Conforme explicou, as escolas devem ser os últimos locais a serem fechados por restrições contra a Covid.

“Eu acho que as medidas de fechamento devem ser dadas pela taxa de transmissão, temos que endurecer pela alta transmissão de agora. Mas já aprendemos que as escolas devem ser as últimas a serem restringidas nesse aspecto”, disse Kfouri.

Teste negativo para eventos em Belo Horizonte

Também foi anunciado que, a partir de segunda-feira (31), um teste negativo para a Covid será exigido em todos os eventos em Belo Horizonte, além da apresentação do comprovante de vacinação.

De acordo com a prefeitura, a medida visa diminuir a transmissão do coronavírus.

A taxa de transmissão na capital mineira está em 1,15 – o que significa que 100 pessoas infectadas transmitem o vírus para outras 115 -, e a ocupação de leitos de UTI está em 82,1%. Já nas enfermarias este índice está em 82,2%.

Veja a vacinação de crianças contra a Covid-19 pelo Brasil

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