Presidente oficializou interferência na PF, diz Witzel ao negar irregularidades

Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse que manterá isolamento no estado para segurar curva de contaminação do coronavírus
Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse que manterá isolamento no estado para segurar curva de contaminação do coronavírus Foto: Adriano Machado - 08.mai.2019/ Reuters

da CNN, em São Paulo

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O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), comentou, por meio de nota, a operação da Polícia Federal realizada desde a madrugada desta terça-feira (26), na qual é alvo de investigação por suspostos desvios na saúde pública do estado. “Não há absolutamente nenhuma participação ou autoria minha em nenhum tipo de irregularidade nas questões que envolvem as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal”, declarou.

O governador mencionou o que acredita ter sido um vazamento da ação da PF. “Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará”.

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Em entrevista, deputada Carla Zambelli antecipou ações da PF contra governadores

Tácio Muzzi é nomeado como superintendente da Polícia Federal no Rio

Na véspera da Operação Placebo nesta terça-feira (26), A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) afirmou, durante em entrevista à Rádio Gaúcha na segunda-feira (25), que a Polícia Federal deflagaria, nos próximos meses, operações contra governadores.

“A gente já teve algumas operações da Polícia Federal que estavam ali, na agulha para sair, mas não saiam. A gente deve ter, nos próximos meses, o que vamos chamar de ‘Covidão’ ou de… não sei qual vai ser o nome que eles vão dar, mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal”, disse a parlamentar na entrevista.

Na mesma nota enviada à imprensa, Witzel afirmou que Bolsonaro interfere politicamente na Polícia Federal. “A interferência anunciada pelo presidente da república está devidamente oficializada. Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos. Sigo em alinhamento com a Justiça para que se apure rapidamente os fatos. Não  abandonarei meus princípios e muito menos o Estado do Rio de Janeiro”, concluiu.

Troca de comando

Em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) publicada na noite dessa segunda-feira (25), o delegado Tácio Muzzi Carvalho e Carneiro foi oficializado como novo superintendente regional de Polícia Federal no Rio de Janeiro. A indicação de Muzzi já era esperada.

A condução de Muzzi ao cargo foi assinada pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Tercio Issami Tokano, que referendou diversas outras nomeações na mesma edição do Diário Oficial, incluindo mudanças na chefia da PF em outros estados.

A direção da Polícia Federal no Rio de Janeiro está no centro das divergências entre Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que acusou o presidente de tentar interferir na corporação.

Segundo depoimento de Moro na investigação que apura o caso, o presidente teria dito ao então ministro que ele  “tinha 27 superintendências da Polícia Federal” e que ele, Bolsonaro, “queria apenas uma, a do Rio de Janeiro”.

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