Professores criticam retomada de aulas presenciais e não descartam greve no RJ

Sindicato dos Profissionais de Educação (Sepe) criticou a decisão do Comitê Especial de Enfrentamento da Covid-19 de recomendar a volta das aulas presenciais

Ana Maia, Pauline Almeida e Stéfano Salles, da CNN, no Rio de Janeiro

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A Secretaria Municipal de Educação deve anunciar, em uma coletiva nesta quarta-feira (27), como vai funcionar o ano letivo de 2021 no Rio de Janeiro. À CNN na manhã dessa terça-feira (26), o Sindicato dos Profissionais de Educação (Sepe) criticou a decisão do Comitê Especial de Enfrentamento da Covid-19, formado por especialistas em saúde e pesquisadores, de recomendar a volta das aulas presenciais. 

O Sepe mostrou preocupação com a defesa do comitê diante do avanço da pandemia no Rio de Janeiro. O município soma 184.676 casos de Covid-19 e 16.707 mortes causadas pela doença. Outro ponto de questionamento do sindicato é o fato de não ter sido convidado para o debate sobre a reabertura das escolas, feito nessa segunda-feira (25). 

Durante oito horas e meia, o Comitê Especial de Enfrentamento da Covid-19 do Rio de Janeiro se reuniu e um dos temas debatidos foi o ano letivo de 2021 – que deve começar no dia 8 de fevereiro.

A proposta foi apresentada pelo município e aprovada por unanimidade no encontro, que contou com a presença dos secretários de Educação, Renan Ferreirinha, e de Saúde, Daniel Soranz. 

Os especialistas entenderam que a ausência dos jovens da escola é prejudicial e que a situação do Brasil, com os alunos quase um ano inteiro fora das unidades educacionais, vai na contramão das melhores práticas adotadas no mundo. Ainda apontaram que o ensino exclusivamente online traz efeitos negativos ao aspecto cognitivo dos alunos.

O Sindicato dos Profissionais de Educação disse acreditar, porém, que não é o momento da retomada do ensino presencial, diante da possibilidade de contágio e do alto fluxo de pessoas que a volta pode provocar. A rede municipal de educação do Rio de Janeiro é a maior da América Latina, com 1.543 unidades de ensino e 643 mil alunos. 

“Até hoje o município do Rio se nega a fazer um lockdown. O que vem mantendo os índices altos nesses patamares foi o fato de a escola ter sido fechada e, portanto, ter segurado o deslocamento. Dizem que Manaus chegou no estado que está por conta disso. Por acharem que estava tudo controlado, reabriram as unidades escolares. Com menos de um mês de funcionamento, mais de 600 casos. Rio de Janeiro também é um exemplo claro disso, reabriram as escolas [no ano passado] para atividades presenciais e o nosso sindicato, em duas, três semanas, denunciou o quadro de mais de 400 escolas fechadas por conta da Covid-19”, apontou a coordenadora-geral do Sepe, Izabel Costa. 

O sindicato terá uma reunião com o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, na próxima sexta-feira (29). No sábado (30), uma assembleia da categoria está agendada e uma nova greve – com a defesa do ensino virtual por enquanto – não está descartada. 

A volta presencial só é defendida após a vacinação contra a Covid-19 dos trabalhadores do setor e de toda a comunidade escolar. “Se a prefeitura realmente tem essa preocupação, priorizando a educação, então os professores e funcionários precisam ter prioridade na vacinação”, reforçou Izabel Costa. 

A CNN aguarda um posicionamento da Prefeitura do Rio de Janeiro sobre as críticas feitas pelo Sepe.

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