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    Queimadas: Amazonas registra segundo pior setembro desde 1998

    Estudo aponta que queimadas contribuem para aumento de hospitalizações

    Água é despejada de helicóptero para tentar controlar queimada no Amazonas
    Água é despejada de helicóptero para tentar controlar queimada no Amazonas Alex Pazuello/Secom/Amazonas

    Giovanna Bronzeda CNN

    São Paulo

    O estado do Amazonas registrou o segundo maior acumulado de queimadas para setembro desde 1998, quando começou a ser feito o monitoramento.

    Os dados são do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e foram atualizados apenas até a sexta-feira (29) — mas já sinalizam o segundo pior setembro da história do monitoramento.

    O mês acumulou 6.871 focos de incêndio. Esse dado só não é maior que o recorde para o mês, de 8.659 focos, registrados no ano passado.

    Total do ano até agora

    Em 2023, já foram contabilizados 14.682 focos de incêndio — mais do que a média histórica anual de 9.617.

    Por conta da estiagem, setembro costuma ser o mês mais severo de queimadas no estado do Amazonas, no bioma e na região da Amazônia Legal.

    Em 2023, no entanto, a Amazônia Legal registrou 32.094 focos em setembro — menos do que os 48.570 registrados no mês em 2022.

    O dado também representa menos do que a média mensal: 45.352. O bioma segue a mesma linha: 25.414 pontos de queimadas registrados em setembro, que é menor do que a média mensal, de 32.477.

    A preocupação não é apenas com a preservação do meio ambiente, mas com os efeitos diretos que ocorrem na saúde das pessoas que moram no Amazonas e nas regiões.

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    Internações hospitalares

    Segundo estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo WWF Brasil, as queimadas na Amazônia foram responsáveis por aumento de internações hospitalares por problemas respiratórios nos últimos dez anos, entre 2010 e 2020.

    De acordo com a pesquisa, foi possível observar o aumento principalmente nos estados da Amazônia Legal que mais registraram queimadas. São as unidades federativas: Pará, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Acre.

    “O estudo mostra que, mesmo com a possível subnotificação por conta de inconsistências na base de dados do DataSUS, os valores diários de poluentes são extremamente elevados e contribuíram para aumentar em até duas vezes o risco de hospitalização por doenças respiratórias atribuíveis à concentração de partículas respiráveis e inaláveis finas (fumaça) nos estados analisados”, explicaram os pesquisadores.

    Segundo o estudo, 87% das internações no estado do Amazonas estão relacionadas às altas concentrações de fumaça. Já o Pará registrou o índice de 68%, enquanto Mato Grosso e Rondônia, 70%.

    Ainda segundo a análise, as doenças decorrentes da concentração de partículas poluentes derivadas das queimadas foram responsáveis por 70% das internações hospitalares que ocorreram nos quatro estados.

    Para o estudo, a Fiocruz e o WWF Brasil analisaram a taxa de internações em hospitais por doenças respiratórias entre 2010 e 2020, além das concentrações estimadas de partículas respiráveis finas – que são as presentes na fumaça de incêndios florestais.

    A CNN procurou o governo do Amazonas a respeito dos dados de queimadas, mas não obteve retorno até o momento.

    Sobre as doenças respiratórias, a Secretaria da Saúde do Amazonas informa que, por não se tratar de doença compulsória (que não possui notificação), não tem como fornecer dados referentes ao número” de registros, e que “todas as unidades de saúde estão preparadas para atender a população”.

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