Rio de Janeiro pode ter novas medidas restritivas nos próximos dias

Secretário Municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, diz que autoridades monitoram número de internações por causa do coronavírus

Funcionário da prefeitura do Rio de Janeiro fiscaliza estabelecimentos no Leblon, na zona sul da cidade
Funcionário da prefeitura do Rio de Janeiro fiscaliza estabelecimentos no Leblon, na zona sul da cidade Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio

Isabelle Saleme, Mylena Guedes e Pauline Almeida, da CNN, no Rio de Janeiro

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Novas medidas restritivas devem ser anunciadas nos próximos dias na cidade do Rio de Janeiro, afirmou o Secretário Municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz. “A gente aumentou as medidas restritivas que já tinham sido impostas na semana passada. A gente sabe que essas medidas são muito duras para muitos setores da sociedade, mas elas são essenciais para salvar vidas. Então caso esses números venham aumentando, pode ser sim que a gente tenha que aumentar as medidas restritivas na cidade do Rio de Janeiro como já fazem outras cidades, outros estados”, explicou.

De acordo com Soranz, houve um crescimento de 14% na procura em unidades de urgência e emergência por pessoas com sintomas de Covid-19. Na rede básica, o aumento foi de 16%. Por conta da rápida mudança de cenário da pandemia no município, a pasta busca abrir mais leitos. De janeiro para cá, foram 353 novas vagas. Mesmo assim, a ocupação das UTIs destinadas ao tratamento da doença está em 94%. “A gente ainda tem 1.100 pessoas internadas por Covid-19 na cidade do Rio de Janeiro. A gente está percebendo um aumento importante de procura às unidades de urgência e emergência e às unidades de atenção primária. Em várias comunidades do Rio de Janeiro ficou bem marcado o aumento da procura de pessoas com sintomas respiratórios para atendimento. Isso liga os alertas da prefeitura ainda mais para a disseminação acelerada do vírus na cidade”, afirmou Soranz.

Durante a última reunião com o Comitê Científico, a prefeitura foi orientada a ampliar as restrições, caso o número de casos continue avançando. Os especialistas também acreditam que não deve haver a interrupção do calendário de vacinação novamente. A orientação dada foi de utilizar as vacinas destinadas a segunda dose e recompor o estoque quando receber novas remessas. Em conversa com a CNN, Soranz não descartou essa possibilidade, mas disse que antes precisa saber como será a distribuição das doses pelo Ministério da Saúde a partir de agora. “A gente vai esperar o cronograma do Ministério da saúde, as recomendações em conjunto dos três entes federados. Quando a gente tiver certeza que o Butantan e que os outros institutos produtores entregarão as doses de vacinas nas datas programadas, a gente, de fato, pode utilizar a segunda dose com a garantia que vai chegar mais e que nenhum carioca, ninguém vai ficar sem tomar a segunda dose na data correta”, disse o secretário.

Mudança na estratégia de vacinação

Na manhã desta quarta-feira (17), a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro retirou da central de distribuição do governo do estado, em Niterói, na região Metropolitana, um novo lote de 96.600 doses de CoronaVac. As vacinas correspondem a metade do que será destinado ao município. A segunda parte ficou retida para a segunda dose.

A partir de quinta-feira (18), calendário de vacinação será retomado para os idosos de 75 anos, idade em que a imunização foi interrompida. Contudo, foi adotada uma nova estratégia. Em um dia, serão atendidas as mulheres e, no outro, os homens, mantendo dois dias para cada idade. No sábado, toda a população com 75 anos será atendida. “Assim os casais podem ir juntos. A ideia de dividir por gênero é para evitar aglomerações. A gente notou que nas semanas anteriores houve uma concentração maior na manhã do primeiro dia de imunização”, explicou o secretário.

Os idosos devem apresentar documento original com foto, número do CPF e, se possível, caderneta de vacinação. Para a segunda dose, é importante levar também o comprovante da aplicação da primeira etapa.

A prefeitura espera novas remessas de imunizantes para os próximos dias e ainda espera poder vacinar todas a população acima dos 70 anos esse mês, o que corresponde a algo em torno de 400 mil pessoas, segundo Soranz. Até a noite dessa terça-feira (16), 475.407 pessoas foram vacinadas com a primeira dose na cidade do Rio, o que equivale a 7% da população. Já em relação a segunda dose, 185.295 pessoas receberam a aplicação. Ao todo, 660.702 doses foram aplicadas na capital.

Vacinação no estado

Na noite desta terça-feira (16), o estado do Rio recebeu mais 444.000 doses da Coronavac, enviadas pelo Ministério da Saúde. Novas remessas são esperadas para os próximos dias.

Com as vacinas que chegaram e começaram a ser distribuídas no dia seguinte, a imunização deve ser retomada em pelo menos outras cinco cidades fluminenses (além da capital), que haviam suspendido a campanha por falta de doses.

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