Rio tem oito eventos-teste aprovados; três sem obrigação do uso de máscara

Secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, argumenta que vacinação contra a Covid-19 e testagem vão garantir ambiente controlado

Isabelle SalemePauline AlmeidaThayana Araújoda CNN

No Rio de Janeiro

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A Prefeitura do Rio de Janeiro já autorizou a realização de oito eventos-teste. Em pelo menos três deles, o uso da máscara não será exigido pelos organizadores, apesar de a proteção facial continuar sendo obrigatória nas ruas. O mesmo acontece com o distanciamento social.

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, explicou que o risco de contaminação nesses eventos é menor, por isso a liberação. “Uma coisa é a necessidade do uso de máscara na população em geral, isso ainda é importante. A outra coisa são locais em que todas as pessoas estão testadas. No Maracanã, por exemplo, todos para entrarem ali tinham realizado teste. Se o teste foi positivo, a pessoa não pode entrar no Maracanã. Aquele local tem muito menos risco de transmissão de Covid-19. Agora, na população em geral, em pessoas que não realizaram teste, ainda é fundamental. Utilizar uma boa máscara e também manter distanciamento, sempre que possível”, lembrou Soranz.

Segundo as autoridades sanitárias, a iniciativa, no cenário atual, será importante para especialistas entenderem a transmissibilidade do vírus da Covid-19 em situações reais de aglomeração do dia a dia e o grau de periculosidade em eventos futuros.

“Desde que seja uma situação controlada, como está sendo proposto, com a obrigatoriedade da imunização e testagem previa, que vai ser feita com o teste rápido de antígeno, é uma forma importante da gente entender qual o grau de periculosidade desses eventos para o futuro. Então esses eventos, desde que sejam cumpridas premissas, vão nos dar a segurança de realização de eventos como o Carnaval”, disse Alexandre Naime, integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia.

No entanto, a não obrigatoriedade do distanciamento e das máscaras motivou críticas de outros especialistas. Para o infectologista Jamal Suleiman, do hospital Emilio Ribas, não há base teórica para essa decisão. “Um evento-teste pode ser realizado, desde que em um ambiente controlado, com poucas pessoas, todos de máscara, vacinados e testados. Com monitoramento direto das autoridades sanitárias, o que não é o caso dos eventos citados”, analisou o médico.

Um dos eventos liberados é um festival de rock, entre os dias 13 e 31 de outubro. Também foram autorizadas uma festa com venda de ingressos, entre os dias 2 e 3 de outubro e uma no dia 9. Todas têm permissão para público de até 5 mil pessoas.

Há ainda diversos outros pedidos em análise para liberação. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, cada organizador é responsável pelo protocolo sanitário da festa, mas, para ser aprovado, ele deve ser compatível com os decretos em vigor na cidade.

Ainda de acordo com a pasta, a fiscalização de cumprimento das regras no momento do evento ficará a cargo das empresas organizadoras. Mas a prefeitura fará o monitoramento dos participantes por 14 dias, para detectar possíveis infecções por coronavírus.

“Cada um desses eventos-teste apresenta um protocolo e a gente recebe a lista das pessoas que entraram no evento. A partir dessa lista, a gente acompanha os testes realizados dessas pessoas antes do evento e também a situação vacinal de cada um e os testes realizados pós-evento. Qualquer notificação de caso ou teste realizado na rede pública ou particular é acusado a gente verifica se houve disseminação nesse evento ou não. As pessoas são acompanhadas por 14 dias”, explicou Soranz.

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