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    Setor de seguros no Brasil quer chegar a 10% do PIB

    Desafios desse mercado para os próximos anos foram o tema do “CNN Talks”, evento realizado pela CNN nesta quarta-feira, em São Paulo

    CNN Talks, evento realizado pela CNN Brasil
    CNN Talks, evento realizado pela CNN Brasil Ciete Silverio

    Da CNN São Paulo

    O mercado de seguros no Brasil estabeleceu metas ambiciosas para os próximos anos: quer ter uma participação de 10% do PIB nacional até 2030. Este índice seria semelhante ao de países desenvolvidos. Para este ano, a previsão é que fique acima dos 6%. No acumulado até setembro, o setor já registrou uma alta de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, com arrecadação de quase R$ 300 bilhões.

    Somente a procura por seguro de vida aumentou quase 30% em 2021. No ano passado, embora o ritmo tenha diminuído, a alta foi de quase 18%. Um dos fatores impulsionou esse crescimento foi a insegurança provocada pela pandemia.

    “Nós temos uma dificuldade muito grande de falar de seguro de vida, porque a gente tem dificuldade de falar sobre morte. Mas a pandemia ela ajudou bastante nesse movimento. As pessoas passaram a fazer algumas reflexões sobre como proteger as pessoas que amamos, quando não estivermos mais aqui. E o mercado segurador tem feito um trabalho de desburocratização para que ele chegue a todas as famílias, independentemente da camada social ou da renda de cada uma das famílias”, afirma Hilca Vaz, diretora técnica de seguro de pessoas da Mapfre.

    A psicóloga Vera Ferreira, que preside a IAREP (Associação Internacional de Pesquisa em Psicologia Econômica) acredita que é importante conscientizar o brasileiro de que o seguro não é só pensar no futuro. “Não é só pensar que lá na frente pode acontecer alguma coisa muito ruim, mas é pensar no bem-estar psíquico que você tem agora. De pensar que se, por acaso acontecer alguma coisa, não vai ser uma tragédia absoluta, é um amortecedor que eu estou comprando. E isso vai reduzir danos”.

    Redução de danos

    E ainda há muito espaço para redução de danos. “Nós temos 20% da população com seguro de vida. Ou seja, nós temos 80% da população que às vezes nem conhece esse produto, e o que ele pode trazer de benefícios”, diz Thiago Ayres, superintendente da diretoria técnica e regulatória da CNseg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização).

    O grande desafio para o setor é como fazer chegar os seguros a esses 80%. “O que nós precisamos fazer é conscientizar as pessoas de que seguro de vida, ao contrário do que muitos pensam, é uma proteção barata, que cabe no bolso de todas as pessoas”, diz Hilca Vaz. “Algumas vezes, as pessoas que têm algum patrimônio, algum investimento, elas acham que não vão precisar de algum tipo de proteção. Porque, se acontecer algo, elas têm liquidez. Mas não têm. Porque quando uma pessoa falece, todo bem é bloqueado. Então, até que o inventário seja finalizado, não é possível contar com investimento ou com patrimônio. E seguro de vida não entra em inventário. Então, ele é que vai dar liquidez para aquela família”, explica Hilca.

    A expansão do setor no Brasil foi tema do debate promovido pela CNN Brasil e Fundación Mapfre em São Paulo nesta quarta-feira (13). O evento “CNN Talks” também abordou um tema urgente e que tem impacto direto: a questão ambiental. Afinal, eventos climáticos extremos, como os temporais que devastaram o litoral norte de São Paulo, ou o calor extremo em regiões da Europa devem ficar cada vez mais frequentes. Episódios como esses também impactam diretamente o agronegócio.

    O presidente da ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio), Renato Buranello, acredita na importância de o setor de seguros trabalhar em parceria com o agronegócio para garantir segurança ao produtor rural. “Esse segmento tem uma função importantíssima para o mundo inteiro, que está ligado à segurança alimentar. E é totalmente coberto por riscos, em cada uma das fases, seja de mercado, de agricultura, de comércio internacional. Portanto, nós podemos ir mais longe olhando o seguro como uma cultura geral para o planejamento da atividade, para segurança patrimonial do produtor e garantindo o abastecimento de alimentos, fibras e bioenergia”, afirma.

    O setor de seguros também acredita no agronegócio como uma grande oferta de oportunidades. “Acho que o agronegócio passa por um momento importante. A probabilidade da ocorrência de um risco, a intensidade das questões climáticas é muito predominante e os prejuízos estão batendo já à nossa porta”, disse Fátima Lima, diretora de sustentabilidade da Fundación Mapfre.

    Para Afonso Arinos, head comercial de agronegócio da Mapfre, essa é uma área em que há muito espaço para crescer. Segundo ele, nos últimos cinco anos, esse mercado cresceu 240% em volume de pagamento de prêmios. “E contra o clima, a gente tem que se proteger. Então a perspectiva, olhando para 2023, que não foi fácil, nós vimos vários eventos [climáticos] acontecendo, é que os produtores procurem ainda mais o mercado. Então, o grande desafio hoje das seguradoras é manter a oferta, conseguir ter uma política de preços e distribuição adequada. e contarmos com mais iniciativas que ajudem na universalização – sejam privadas ou públicas”, completa Arinos.