Polícia investiga grupo que planejava ataques a prédios públicos no RJ
Grupo atuava nas redes sociais e planejava ataques com uso de explosivos contra alvos estratégicos
A Polícia Civil prendeu, nesta segunda-feira (2), três homens suspeitos de integrar grupos que planejavam ataques contra autoridades e prédios públicos no Rio de Janeiro. Ao longo do dia, 17 mandados de busca e apreensão foram cumpridos durante a operação batizada de “Break Chain”.
Segundo a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), as investigações começaram após a identificação de grupos de mensagens e páginas em redes sociais criados com o objetivo de organizar manifestações antidemocráticas, previstas para esta segunda-feira (2), às 14h, em diversos estados do país. No Rio de Janeiro, o ato estava programado para ocorrer em frente à Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), no Centro.
“A inspiração desse grupo foram manifestações da chamada ‘Geração Z’ no Nepal, no Quênia, em Madagascar e no Peru. Foram levantes motivados por questões políticas contra determinadas linhas de governo. Aqui no Rio de Janeiro, não havia uma motivação clara. As pautas eram genéricas, como combate à corrupção, elucidação do caso do Banco Master e críticas aos governantes atuais”, explicou Luiz Lima, delegado titular da DRCI.
De acordo com as investigações, apesar de se apresentar como apartidário e anticorrupção, o grupo autodenominado “Geração Z” incitava e preparava atos de violência e terrorismo, além de estimular ataques contra estruturas de telecomunicações, prédios públicos, autoridades estatais e centros políticos. Segundo a polícia, o objetivo era provocar pânico, desordem e caos social, com o uso de bombas caseiras e coquetéis molotov.
“Conseguimos frear esse movimento e impedir que ele ganhasse força. Se alguma ação tivesse sido executada, certamente haveria um grande poder de cooptação de outros jovens, que poderiam aderir ao movimento, transformando-o em algo de proporções nacionais”, afirmou o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi.
Os alvos dos mandados de busca e apreensão são investigados pelos crimes de incitação ao crime, associação criminosa e posse, fabricação ou preparo de artefato explosivo ou incendiário. Segundo a polícia, todos participavam ou administravam grupos vinculados ao Rio de Janeiro e exerciam papel ativo e relevante, com incentivo direto à prática de atos violentos e ao direcionamento das ações planejadas, incluindo a escolha de um local sensível do cenário político fluminense para a realização do ataque.
A Polícia Civil informou ainda que menores de idade estão entre os 17 alvos das buscas, cumpridas em endereços da capital, da Região Metropolitana e do interior do estado. Apesar de não haver mandados de prisão expedidos, três homens foram presos, dois em flagrante por associação criminosa e um por porte ilegal de arma de fogo e associação criminosa.
Durante a ação, os agentes apreenderam duas armas, facas, aparelhos telefônicos e outros materiais que devem auxiliar no aprofundamento das investigações.
“A investigação está sob sigilo, mas autoridades estavam entre os alvos das ameaças feitas por esse grupo criminoso”, afirmou André Neves, diretor do Departamento-Geral de Polícia Especializada, ressaltando que os nomes das autoridades serão preservados.


