Professor sobre operação no Rio: O que tivemos hoje foi um banho de sangue
Em entrevista ao CNN 360°, sociólogo Daniel Hirata, da UFF, afirma que ação nos complexos do Alemão e da Penha não pode ser considerada operação de segurança pública devido ao alto número de vítimas
Uma megaoperação policial realizada nesta terça-feira (28) nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte do Rio de Janeiro, resultou em 64 mortes, incluindo quatro policiais, marcando um dos episódios mais letais da história da segurança pública do estado. Em entrevista ao CNN 360°, Daniel Hirata, sociólogo e coordenador do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da Universidade Federal Fluminense (UFF), caracterizou o acontecimento como um "banho de sangue", destacando a dimensão sem precedentes da operação.
O especialista questiona a efetividade da ação, considerando duas dimensões críticas: a humana, referente às famílias das vítimas, e a estratégica, argumentando que eliminar pessoas não enfraquecerá as organizações criminosas, que possuem uma estrutura de substituição imediata de seus integrantes.
Hirata enfatiza que o controle territorial armado permanece como uma das questões mais urgentes a serem enfrentadas no Rio de Janeiro. No entanto, ressalta que operações desta natureza não produzem mudanças efetivas na dinâmica da segurança pública, pois a situação tende a retornar ao estado anterior assim que a ação é concluída.
O sociólogo manifesta especial preocupação com o nível de letalidade em uma zona urbana densamente povoada, onde residem famílias e crianças. Segundo sua análise, a violência sem precedentes observada nesta operação dificulta até mesmo sua categorização dentro dos padrões conhecidos de ações de segurança pública.


