"Acreditamos no princípio da inocência", afirma equipe de piloto preso
Roberval Andrade foi detido pela Polícia Federal durante uma operação que apura um esquema de corrupção na polícia de São Paulo
A equipe do piloto Roberval Andrade, que foi preso pela Polícia Federal durante uma operação que apura o vazamento de informações sigilosas da Polícia Civil de São Paulo, publicou uma nota afirmando que irá esperar os desdobramentos das investigações para tomar medidas legais. A prisão aconteceu nesta quarta-feira (25).
Em texto, a equipe da ASG Motorsport explicou que tomou conhecimento dos fatos pela imprensa e, atualmente, o processo segue sob segredo de justiça. Além disso, a conduta do piloto foi citada como “profissional” dentro de suas obrigações.
Acreditamos no princípio da inocência que comunga em favor do cidadão brasileiro
Em nota, a Mercedes-Benz do Brasil, "na condição de patrocinadora da equipe ASG Motor Sport, da Copa Truck, e de acordo com as suas regras de compliance" exigiu o afastamento do piloto até o final das investigações da Polícia Federal.
Entenda a prisão
O piloto Roberval Andrade, bicampeão da Fórmula Truck e campeão da Copa Truck, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (25) durante uma operação que apura um esquema de corrupção e vazamento de informações sigilosas envolvendo agentes públicos e particulares em São Paulo.
Andrade é investigado por lavagem de dinheiro e corrupção. Em nota à CNN, a defesa dele informou que está solicitando ao Juízo competente sua habilitação nos autos que originou o decreto da prisão, para se manifestar posteriormente.
Além dele, os policiais civis Sérgio Ricardo Ribeiro, conhecido como “Serginho Denarc”, e Marcelo Marques de Souza, conhecido como “Marcelo Bombom”, também foram presos.
De acordo com o inquérito da Polícia Federal obtido pela CNN, os suspeitos atuavam para favorecer ilegalmente pessoas investigadas em inquéritos criminais mediante o pagamento de propina.
Bombom teria atuado como elo entre Roberval e o advogado Anderson dos Santos Domingues, conhecido como “DR” — também investigado — em tratativas relacionadas à liberação de um helicóptero, mediante pagamento de valores que chegaram a R$ 700 mil.
A investigação também identificou que Marcelo Bombom mantinha relação próxima com o policial Sérgio Ricardo Ribeiro, a quem recorria para tratar de intimações e inquéritos de interesse de seus contatos — inclusive em uma ocasião em que chegou a negociar a não oitiva de um investigado, o que configuraria obstrução de investigação.
Operação Augusta
Entre os crimes apurados estão o arquivamento irregular de procedimentos policiais, o repasse clandestino de dados protegidos por sigilo e a intermediação ilícita para restituição de bens apreendidos, com uso de documentos falsificados.
Um dos episódios que motivou a Operação Augusta foi a tentativa de restituição de um helicóptero bloqueado pela Justiça. A aeronave está entre os bens e recursos identificados no esquema, que podem totalizar até R$ 12 milhões.
Ao todo, estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão – cinco na capital paulista, três na região metropolitana e um na cidade de Praia Grande. As ordens foram expedidas pelo Poder Judiciário de São Paulo.
A ação conta com apoio da Polícia Militar e da Corregedoria da Polícia Civil.
Os investigados poderão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, quebra de sigilo bancário e advocacia administrativa. As apurações seguem sob sigilo.
Desdobramento da Operação Tacitus
Sete pessoas, inclusive um delegado e três policiais civis foram presos em 17 de dezembro de 2024 durante a Operação Tacitus. O trabalho envolveu 130 policiais federais, apoiados pela Corregedoria da Polícia Civil e pelo Ministério Público, dando cumprimento a oito mandados de prisão e 13 de busca e apreensão nas cidades de Bragança Paulista, Igaratá, Ubatuba e na capital.
Na época, a Secretaria de Segurança de São Paulo (SSP) afirmou em nota que a operação buscava desarticular uma organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública (corrupção ativa e passiva).
A ação aconteceu no âmbito das investigações sobre a execução do delator Vinícius Gritzbach, em 8 de novembro, no aeroporto de Guarulhos. O esquema criminoso envolveria manipulação e vazamento de investigações policiais, venda de proteção a integrantes do PCC, além de lavagem de dinheiro para a organização criminosa.
Todos os alvos da Operação Tacitus teriam sido delatados por Gritzbach, por envolvimento em corrupção. O delegado Fábio Baena Martin foi detido, juntamente com os investigadores Eduardo Lopes Monteiro, Rogério de Almeida Felício, Marcelo Ruggieri, Marcelo Bombom e outras três pessoas.
Os demais presos foram Ahmed Hassan e Robinson Granger de Moura. Em nota, a defesa de Fábio Baena afirmou estar indignada e que a prisão não possuía necessidade.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo


