Após Nunes buscar concorrente, Enel diz dobrar garagens de ônibus elétricos
Ampliação das garagens tem energia capaz de abastecer 400 mil residências; prefeitura investe R$ 6 bi para a substituição total da frota

Atualmente com infraestrutura elétrica para abastecer 980 ônibus elétricos na capital paulista, a italiana Enel, concessionaria responsável pela distribuição de energia na Grande São Paulo, promete ampliar as garagens para recarregar o dobro de veículos até o final deste ano. A informação está disponível na nova plataforma da Enel de transparência da eletrificação do transporte urbano, que a CNN teve acesso com exclusividade.
A promessa de ampliação acontece meses após o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciar que negocia com a chinesa Huawei, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, para implementar um sistema carregamento para frota e reduzir a dependência da infraestrutura de carregamento da Enel. A tecnologia promete mais segurança, estabilidade e rapidez de carregamento.
“A substituição da nossa frota de ônibus é concreta e está acontecendo, com investimento de R$ 6 bilhões. Só não conseguiu avançar mais por conta da Enel, que é a companhia que fornece energia e aqui a gente vai fazer uma visita à Huawei, para ajudar a resolver esse problema”, disse Nunes no começo de abril deste ano.
A Enel afirma que, até o final deste ano, deve ampliar o fornecimento de 44MW de energia a 20 garagens para o atendimento de 38 garagens com o total de 88MW — energia capaz de abastecer 400 mil residências ou 1960 veículos. Em julho, a frota de veículos elétricos da cidade era de 640 ônibus.
Da energia disponibilizada de março a junho, o máximo consumido pelas garagens foi de 57% do total fornecido, e a média consumida em um mês não passou de 21%.
A adaptação para o carregamento dos ônibus elétricos envolve reconstrução de trechos de rede, troca de postes e cabos. Com as obras, a concessionária leva energia para as garagens, que são administradas pelas operadoras de ônibus.
Até julho, R$ 10,4 milhões foi investimento da Enel e R$ 300 mil (8% do total) foi arcado pelas empresas de transporte para adaptação da fiação nas ruas.
A CNN solicitou um novo posicionamento a prefeitura de São Paulo. Veja a nota na íntegra:
A Prefeitura de São Paulo reitera que a ENEL é uma empresa irresponsável e não cumpre seus compromissos com a cidade.
Tanto que a atual gestão tem atuado para encontrar alternativas para ampliar a frota de ônibus movida à energia limpa, como os sistemas BESS (Battery Energy Storage System), que podem multiplicar por seis a capacidade de recarga sem custo extra para a cidade, e o lançamento de um chamamento público para soluções integradas, incluindo geração e distribuição de biometano.
Tais medidas são necessárias para cumprimento do novo Plano de Metas, com 2,2 mil ônibus movidos por matriz energética mais limpa ATÉ 2028.
Além da falta de infraestrutura nas garagens, a ENEL presta um serviço deplorável na capital, com episódios recentes de sucessivas interrupções no fornecimento de energia elétrica acarretando prejuízos a famílias que perdem alimentos na geladeira e também a empresas e comerciantes que não conseguem produzir ou abrir suas portas aos clientes.
Por essas razões, o Município é contrário a qualquer possibilidade de renovação antecipada do contrato entre o governo federal e a concessionária.


